
(19/04/2015) – Entidades sindicais e de empresários lançaram no início de abril, em São Paulo, a “Coalizão Indústria – Trabalho para a Competitividade e o Desenvolvimento”, movimento pela recuperação da indústria da transformação, setor que na década de 1980 respondia por 35% e hoje tem apenas 12% de participação no do PIB. A perda de competitividade é apontada como a principal razão para a queda.
O movimento, que reuniu cerca de duas mil pessoas, apresentou o manifesto “Em Defesa da Indústria e do Emprego”. 42 entidades patronais da indústria da transformação de segmentos diversos e quatro Centrais Sindicais de Trabalhadores participaram do movimento, cujo objetivo é apresentar e discutir propostas que viabilizem a retomada da competitividade da indústria nacional. Segundo os organizadores, as entidades empresariais participantes representam juntas 51% do faturamento e dos empregos diretos gerados pela indústria de transformação estabelecida no Brasil, com geração de mais de 4,5 milhões de empregos diretos.
“Este não é um movimento de oposição a quem quer que seja e não é partidário. É, na verdade, um grande grito de alerta à sociedade e ao governo, um grito de alerta para essa destruição da pátria que está acontecendo neste país”, disse Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, em discurso na abertura do ato.
“Somando juros, impostos e esse câmbio, o resultado é a morte da indústria de transformação”, afirmou Jorge Gerdau, representante do Instituto Aço Brasil, ressaltando que a união de empresários e trabalhadores é pela sobrevivência das empresas e dos empregos.
Para Ubiraci Dantas de Oliveira, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), “a desnacionalização e a desindustrialização do nosso país estão aumentando a cada dia que passa. A política atual está matando a nossa indústria e matando os empregos também”.
De acordo com as entidades participantes, a crescente queda de competitividade da indústria de transformação brasileira decorre principalmente do fato de que produzir no Brasil custa, em média, de 30% a 40% a mais do que nos principais países concorrentes.
“Cientes das dificuldades do governo de continuar a política de desoneração neste momento, sem prejuízo das necessárias reformas institucionais, a Coalizão Indústria – Trabalho acredita que, mesmo sem renúncias fiscais sensíveis, seja possível reverter expectativas com uma agenda baseada em ações de curto e médio prazo, que objetivem: câmbio competitivo; juros em padrões internacionais; e sistema tributário sem cumulatividade de impostos”, diz comunicado distribuído à imprensa.