São Paulo, 05 de julho de 2026

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15/11/2014

Indústria ferroviária vive momento de otimismo


(16/11/2014) – Vendas e produção em alta; investimentos em novas fábricas e na ampliação da capacidade das já instaladas; plano de renovação de frota de vagões e locomotivas; novos projetos e licitações de ferrovias de cargas e passageiros. Esses são alguns dos motivos que estão animando a indústria nacional de equipamentos ferroviários, segundo Vicente Abate, presidente da Abifer.

“Estamos otimistas, mas prefiro dizer que é um otimismo com certa cautela, pois sabemos das condições econômicas do País e da própria complexidade do setor, com todas as dificuldades existentes para se tirar uma ferrovia do zero”, observa Abate. No entanto, como lembra o dirigente empresarial, o quadro atual é bem melhor do que há 15 anos, quando o setor enfrentava sérias dificuldades para se manter. “O patamar mudou. Estamos num nível muito melhor”.

Em termos de faturamento, por exemplo, os associados da Abifer esperam fechar 2014 com crescimento no mínimo 10% superior ao de 2013, saltando de R$ 4,5 bilhões para mais de R$ 5 bilhões. “No final do ano passado previmos produzir 3.500 vagões de carga em 2014 e devemos fechar com número superior a 4 mil. No caso de vagões de passageiros, a previsão era de 320 e em setembro já estávamos em 280”, informa. Esses números representam crescimento de cerca de 70% em relação ao ano passado, quando foram produzidos 2.280 vagões de carga e 219 de passageiros.

O desempenho em termos de faturamento só não será ainda melhor porque o equipamento de maior valor, a locomotiva, não acompanhou o crescimento dos vagões. No ano passado foram produzidas 83 e este ano a expectativa é de chegar a 60.

RENOVAchr38Ccedil;ÃO DE FROTA – De acordo com Abate, apesar de estar hoje num patamar melhor, o gráfico representativo do faturamento do setor nos últimos anos “é uma verdadeira montanha russa. Sobe um ano e cai dois”. Para evitar essa falta de linearidade e visando maior previsibilidade, a Abifer se uniu à ANTF, entidade que congrega os transportadores ferroviários, as concessionárias – que herdaram a frota do governo com vagões e locomotivas hoje com mais de 40 anos de idade – para propor um plano de renovação da frota ferroviária.

No total são 40 mil vagões e 1.400 locomotivas obsoletos. “Nossa proposta é a de substituir esses 40 mil vagões lentos e pesados por 18 mil de maior capacidade, mais rápidos e com melhor poder de descarga; e as 1.400 locomotivas por 600 de maior potência, modernas, mais eficientes e menos poluidoras”, explica. O processo de substituição será distribuído ao longo de 10 anos, com 1.800 vagões/ano e 60 locomotivas/ano. “Com isso, a produção do setor ganhará um “colchão” que, somado, ao crescimento orgânico do setor nos dará maior previsibilidade num período de 10 anos”.

A proposta recebeu apoio do Ministério dos Transportes, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e do BNDES. “Esperávamos que o programa fosse aprovado ainda este ano. Mas está bem maduro. Se não sair agora, acredito que saia no início de 2015”, afirma, lembrando que o plano trará benefícios a todos os envolvidos, incluindo os usuários, que terão serviços e preços melhores, e o governo que receberá mais impostos.

Além disso, outro fator que anima os fabricantes de equipamentos ferroviários são os novos projetos de ferrovias federais, com vários trechos de transporte de carga prestes a entrar em licitação, e também os projetos de trens regionais em vários estados (primeiro deles está previsto para o início de 2015, de São Paulo a Americana), além de metrôs e VLTs. “Não são projetos imediatos, mas para um período de 3 a 5 anos. Mas nos dão uma visão de médio e longo prazo de que a malha será ampliada”, diz. “E a nossa indústria está preparada”.

NOVAS FÁBRICAS – Na avaliação de Abate, é esse conjunto de fatores positivos está atraindo investimentos para o Brasil. “Nós estimávamos um total de 400 a 600 milhões para o período 2014 – 2016, mas é possível que esses valores serão ultrapassados”. Entre os novos investimentos, cita a fábrica da Alstom em Taubaté (SP), que irá produzir os VLTs para o projeto Porto Maravilha no Rio de Janeiro e Goiânia; a fábrica que a Randon irá instalar em Araraquara (SP); a fábrica da Ibayo-CLK, também em Araraquara, que produzirá aparelhos de ar-condicionado para trens e metrôs; e a fábrica da trens da Hyundai Rotem, que está prestes a ser anunciada. “Além disso, temos informações de outras duas fábricas que serão anunciadas em breve, incluindo uma fábrica de monotrilhos”.

Diante desse quadro, Abate avalia que as perspectivas são boas para 2015. “É possível que no próximo ano ainda tenha um pouco da montanha russa, mas podemos dizer que o novo patamar veio para ficar. É daqui para cima”.

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