(28/09/2014) – Estudo da Poli-USP calculou o valor que o Brasil precisa investir para atingir infraestrutura de transportes semelhante à Rússia, Canadá e Austrália: R$ 1 trilhão até 2030 de recursos privados e públicos. O trabalho foi coordenado pelo professor Claudio Tavares de Alencar, do núcleo de Real Estate da Escola Politécnica, em coautoria com o professor João da Rocha Lima Júnior, do mesmo Núcleo, e o mestrando Flávio Abdalla Lage.
De acordo com o trabalho, as melhores opções em termos de custo e eficiência para transporte de grandes cargas são os trens e navios. Países de grandes proporções geográficas, como é o caso da Rússia e do Canadá, priorizaram esses dois sistemas. E o Brasil? “Ainda depende dos caminhões, a alternativa mais ineficiente”, diz Lage.
O estudo da USP aponta que além de depender da pior alternativa, o Brasil possui apenas 14% de suas rodovias pavimentadas, o menor índice entre os países usados como base na pesquisa – que inclui os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), Estados Unidos, Canadá e Austrália. O segundo país com a média mais baixa em estradas asfaltadas é a Austrália, mas o valor é três vezes superior ao do Brasil.
De acordo com Lage, apesar do baixo índice de rodovias pavimentadas, o País não precisaria priorizar seus investimentos na construção de mais estradas. “Possuímos uma quantidade razoável de rodovias em relação aos países estudados”, diz. “Precisamos adequá-las e pavimentá-las”.
Além de adequar as rodovias, o Brasil precisa construir mais ferrovias e hidrovias. Seria necessário gastar R$ 1 trilhão para por ordem na casa. “Levamos em consideração a capacidade de investimento do governo e do setor privado, junto com o que acreditamos ser um tempo razoável de execução, tendo em vista o histórico brasileiro”, diz o engenheiro.
O mestrando também aponta que é necessário mudar a forma de contratação das empresas. “O modelo de contratação praticado no Brasil faz com que o governo contrate a execução de obras, mas acabe dependendo de outros mecanismos para realizar sua manutenção”, diz Lage. “A consequência é que o governo vai aumentando a quantidade de contratos de manutenção para administrar, sem aumentar a sua capacidade técnica e de fiscalização”, diz. “É preciso que o governo estabeleça critérios mínimos de qualidade e de prestação de serviço para que as empresas contratadas também fiquem responsáveis pela manutenção da obra”, argumenta. “O governo não tem condições de desenvolver-se e investir em infraestrutura de transportes na mesma velocidade que a economia necessita.”