São Paulo, 02 de julho de 2026

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07/09/2013

Setor de ferramentas tenta reverter impacto do câmbio

(08/09/2013) – Dólar em alta é sempre motivo de perturbação dos negócios no setor de ferramentas de corte. Como a grande maioria dos produtos comercializa no Brasil é importada – e os que não são diretamente têm no mínimo a matéria-prima importada – os efeitos são diretos. Com o mercado brasileiro andando de lado, o impacto ainda é maior, já que os clientes ficam ainda mais refratários a negociações e aumentos de preços.

Diante desse quadro, num primeiro momento fabricantes e distribuidores de ferramentas buscaram alternativas para contornar a situação, evitando o repasse de custos. Porém, segundo as empresas entrevistadas pelo site Usinagem-Brasil, estas perderam o fôlego no mês passado, devido ao longo período de desvalorização da moeda.

“Fizemos todos os esforços possíveis na tentativa de postergar ao máximo o repasse aos preços de nossos produtos”, informa Fernando Pereira, diretor-presidente da Seco Tools. “Estamos reajustando os preços de lista, assim como renegociando a carteira de pedidos, visando inclusive a manutenção do padrão de atendimento e a continuidade do fornecimento”.

Com as margens de lucro já muito comprimidas, a TaeguTec foi obrigada a reajustar os preços no início de agosto. Hélio Galheta, diretor-presidente da filial brasileira, lembra que esse processo costuma provocar desgastes no relacionamento com clientes. “Alguns não entendem que os fabricantes de ferramentas também têm custos variáveis”, lamenta. Nesse processo, a empresa chegou a perder alguns negócios, mas o executivo assegura que estão sendo feitos esforços para reduzir o impacto ao mínimo, tanto para os clientes como para os negócios da filial brasileira.

“Esperamos ao máximo pelos sinais de estabilização da moeda, mas estes demoraram a aparecer, deixando a defasagem em patamares insustentáveis. Assim, fomos obrigados a repassar pelo menos parte deste aumento aos nossos custos”, justifica Eduardo Ribeiro, diretor-presidente da Iscar do Brasil.

O caso da Palbit difere um pouco das demais. No final do ano passado, com o objetivo de ampliar a rede de distribuição e a penetração no mercado brasileiro, a empresa portuguesa reforçou bastante seu estoque local, antes portanto da alta do dólar. A medida permitiu que a empresa mantivesse seus preços inalterados, mas só para os produtos já estocados. “Estamos enfrentando essa dificuldade e buscando alternativas para administrar os preços com o fim dos estoques”, informa Fábio Caleiros, gerente de Vendas da filial brasileira. Uma estratégia, já colocada em prática, é a criação dos Smart Kits, promoção que possibilita (devido ao volume) a utilização de descontos.

Salvador Fogliano, diretor-presidente da Walter do Brasil, lembra que a alta do dólar afeta os custos industriais da cadeia produtiva, já onerados pela alta carga tributária, falta de infraestrutura e encargos trabalhistas não condizentes com a necessidade do desenvolvimento industrial. No entanto, o executivo também vê algo de positivo na desvalorização do real, que pode afetar positivamente a indústria nacional ao estimular a exportação. “Além disso, parte dos componentes que tiveram a produção transferida para países de menor custo, poderá voltar a ser produzida localmente”, analisa, reconhecendo que esses efeitos só deverão ser notados a partir do segundo semestre de 2014.

PRODUTIVIDADE – Todas as empresas entrevistadas informaram que não acreditam em um recuo do dólar aos patamares anteriores e assim estão desenvolvendo estratégias visando reduzir o impacto do repasse de preços aos clientes. “A Seco Tools está colocando à disposição dos clientes seus especialistas de produtos, técnicos de aplicação e engenheiros de processos para, através da aplicação de ferramentas de análise de processos, reduzir os custos de produção de nossos clientes de forma a anular ou superar o efeito deste reajuste causado pela diferença cambial”, informa Fernando Pereira.

Ribeiro, da Iscar do Brasil, destaca que apesar das dificuldades a filial está otimista, pois enxerga, nessa crise do dólar, uma oportunidade. “Nossa primeira ação foi a de reduzir os custos da empresa, evitando porém cortes de pessoal, pois trata-se de mão de obra especializada que será utilizada inclusive para minimizar ou até transformar por completo esse aumento de preços, pois paralelamente nossos clientes estarão recebendo soluções que poderão reduzir seu custo final”. Em sua avaliação, as novas tecnologias da Iscar podem significar maior produtividade e “se os clientes souberem aproveitar o diferencial que estamos oferecendo podem se tornar muito mais competitivos no mercado global, ganhando negócios e consequentemente nos trazendo mais oportunidades”.

Fogliano afirma que “diante deste cenário, como uma empresa voltada a soluções customizadas de engenharia, a Walter está intensificando sua atuação para proporcionar os efetivos ganhos em produtividade necessários para a manutenção da competitividade de nossos clientes”.

Mais do o aumento de cerca de 20% ao longo de 2013, o que mais preocupa é a oscilação. A falta de estabilidade do valor da moeda impede a realização de estimativas e previsões de custos, condições necessárias para projetos e investimentos sejam retirados da gaveta.

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