(01/09/2013) – A indústria do alumínio no Brasil está pronta para atender a demanda futura decorrente das novas exigências impostas ao setor automotivo nacional pelo Inovar-Auto. Essa é a avaliação de Ayrton Filetti, coordenador da Comissão Técnica e do Comitê de Transportes da Abal – Associação Brasileira do Alumínio, que afirma que “a indústria do alumínio no Brasil está capacitada e trabalhando para que as montadoras se adequem aos requisitos preconizados pelo Inovar-Auto”.
Para o especialista, atualmente oferta e demanda de alumínio no Brasil estão equilibradas e a indústria nacional está amplamente capacitada para atender ao aumento da demanda de peças fundidas destinadas ao powertrain – que é a principal contribuição do metal para a redução de peso dos automóveis. “Mas o setor também tem plenas condições tecnológicas e de suprimento para atender com produtos extrudados, laminados e chapas de alumínio”, adianta.
Filetti lembra que o uso de chapas de alumínio no lugar da chapa de aço para o fechamento de carrocerias deve crescer aos poucos, seguindo a tendência verificada hoje na Europa e EUA, onde a substituição de fundidos de ferro por alumínio já atingiu praticamente seu limite e o uso de chapas e extrudados vem crescendo ano a ano.
O coordenador da Comissão Técnica da Abal ressalta que existem desafios específicos, de ordem tecnológica e que implicam adequação pelas montadoras, como é o caso da estampagem de chapa de alumínio. “Porém, o grande desafio do setor é convencer as montadoras a fazer uma análise de custo x benefício, comparando o alumínio aos outros materiais, além de analisar as soluções que o alumínio pode trazer, como redução de peso direto e indireto do veículo”.
Como tem apenas um terço do peso do aço, o alumínio pode ser um grande aliado das montadoras para atender aos requisitos do Inovar-Auto, especialmente no que se refere à redução do consumo de combustíveis, com a consequente diminuição da emissão de poluentes. Cada 10% de redução de peso nos automóveis representa aumento de 5 a 7% em eficiência de combustível.
“A cada 100 kg de redução de peso de um automóvel, cerca de 300 a 900 litros de combustível podem ser economizados durante todo o ciclo de vida do veículo”, informa Filetti, lembrando que, no caso de táxis e ônibus urbanos, a economia é significativamente superior, podendo chegar a 2.500 litros. “Em média, cada quilo de alumínio, aplicado em substituição a um material pesado, pode evitar a emissão de até 20 kg de CO2 durante a vida útil de um automóvel; 28 kg de CO2, de caminhões, e 40 kg a 45 kg de CO2, de ônibus. A aplicação do alumínio para reduzir o peso dos veículos do setor de transportes no mundo pode evitar a emissão de 660 milhões de toneladas de CO2 ao ano – 9% das emissões do gás de efeito estufa relacionadas ao segmento”. (Thaís Martins)
