(10/03/2013) – O clima quase de euforia observado no setor de máquinas rodoviárias em 2010 – por causa do anúncio de várias obras de infraestrutura e na área de habitação popular, e a confirmação da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 – parece ter dado lugar a um misto de angústia e expectativa.
De acordo com Andrea Park, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Rodoviárias da Abimaq, boa parte dos investimentos aguardados ainda não foi tirada do papel, e as vendas têm apresentado uma curva de ligeiro declínio desde 2011.
“O setor vendeu, no ano passado, 23.635 unidades de linha amarela, das quais 82% para o mercado doméstico”, diz Andrea. “Só que este volume foi 4% menor do que o registrado em 2011. A indústria investiu e continua investindo pesado para atender a demanda prometida, mas até agora pouco temos visto de efetivo nessa área”.
Andrea afirma que a situação só não está pior para as fábricas do setor porque o mercado de construção civil continua aquecido, e uma megalicitação de R$ 2 bilhões foi feita pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para a aquisição de cerca de 5 mil motoniveladoras e retroescavadeiras, e ficou restrita apenas aos fabricantes locais.
“Isso ajudou a reduzir a nossa capacidade ociosa dos 40% do ano passado para 30% este ano. Mas mesmo assim, ela continua alta”, diz a dirigente da Abimaq, para quem o setor só deixará de patinar quando as obras de infraestrutura anunciadas pelo governo forem realizadas dentro de cronogramas firmes e recursos assegurados.
“Se esses investimentos nos garantissem um crescimento sustentado – ou seja, sem bolhas – de 5%, já estaria ótimo”, afirma, observando que já existe preocupação no setor com o crescimento do número de fabricantes de equipamentos de linha amarela no Brasil, principalmente nos últimos dois anos. “Porque, sem crescimento, não há dúvida de que com mais players haverá pulverização”.
De fato, na expectativa de abocanharem parte das grandes obras de infraestrutura, aportaram por aqui, dentre outras, a Sany e a XCMG, duas indústrias de equipamentos pesados da China. No mês passado, a Volvo anunciou que irá transferir para o país a produção de retroescavadeiras, hoje realizada no México.
“Todas essas empresas são bem vindas, porque passarão a produzir no Brasil e reforçarão a cadeia produtiva. Mas também irão sofrer se o volume de encomendas não aumentar daqui para frente”. (Alberto Mawakdiye)