(24/02/2013) – O presidente do Sindipeças, Paulo Butori, reuniu-se na última segunda-feira, 18, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, para “tratar de diversos temas ligados ao setor”, dentre os quais a possível adoção de medidas para fortalecer o segmento, que vem sofrendo com a concorrência das autopeças importadas.
Embora o resultado da reunião não tenha sido divulgado, sabe-se que se encontra em gestação no MDIC o programa Inovar-Peças, com medidas similares às que foram adotadas para as montadoras no ano passado (o pacote Inovar-Auto), de modo a estimular a produção local e induzir maiores investimentos no setor. O estabelecimento de um sistema mais eficaz de rastreabilidade das autopeças usadas na produção nacional de veículos também está sendo estudado.
Butori vem alertando há tempos que o setor brasileiro de autopeças está perdendo competitividade devido ao crescimento das importações. Um levantamento do Sindipeças apontou aumento de 24,48% no déficit comercial em 2012 na comparação com o ano anterior. As importações somaram US$ 16,26 bilhões e as exportações, US$ 10,47 bilhões – um déficit, portanto, de US$ 5,79 bilhões.
“O resultado é faturamento em queda e investimentos abaixo do necessário para acompanhar o crescimento da indústria automotiva no País”, resume Butori, que reclama de o setor não ter recebido uma proteção equivalente contra as importações oferecida às montadoras. Enquanto os veículos estrangeiros passaram a sofrer taxação que pode chegar a 65%, as autopeças importadas continuam sob as alíquotas de 14% a 18%, consideradas muito baixas pelas indústrias do segmento.
Sem maior proteção à indústria nacional, o presidente do Sindipeças não acredita que os benefícios advindos do programa Inovar-Auto alcancem o setor de autopeças. De qualquer forma, o segmento deve apresentar alguma evolução durante este ano. De acordo com o departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, haverá em 2013 uma elevação de 4,4% da produção nacional de autopeças, impulsionada pela elevação das vendas domésticas, retomada de exportações e moderação das importações – devido ao câmbio e ao próprio novo regime automotivo. (Alberto Mawakdiye)