(18/11/2012) – Existe, hoje, no mercado brasileiro certa controvérsia quanto ao processo MQL (usinagem com mínima quantidade de lubrificação). Para uma dessas correntes de opinião, o processo não irá deslanchar no Brasil. Para Jorge Jerônimo, diretor-geral da Guhring Brasil, essa é a avaliação de pessoas que não estão completamente envolvidas com o processo. “Para nós, o MQL já é uma realidade no Brasil”.
Jerônimo se baseia no fato de que a empresa está participando de dois grandes projetos de MQL no Brasil, nas fábricas de motores da Ford e da Volkswagen, hoje em fase de try-out e que entrarão em ritmo de produção no próximo ano. “Estamos também trabalhando em outros projetos de menor porte e recebemos recentemente novas consultas para dois grandes projetos de MQL no setor automotivo (uma montadora e um fabricante de autopeças)”, informa.
Além disso, numa demonstração de que o processo é uma tendência mundial, o departamento responsável pelos projetos de MQL da Guhring, na Alemanha, já responde por mais de 10% dos negócios da empresa. Jerônimo lembra que a empresa é uma das precursoras do processo MQL em nível mundial. “Temos uma longa história nessa área, inclusive algumas patentes de itens ligados ao sistema de refrigeração que pertenciam à Guhring, atendendo solicitação do governo alemão (devido aos benefícios ecológicos) foram abertas ao mercado”, explica.
Mas o mais importante, para o diretor, é que os benefícios do processo estão sendo confirmados na prática, nos testes realizados na Ford e na Volkswagen. Em sua avaliação, no próximo ano, com a entrada em operação desses projetos nas unidades de Taubaté e São Carlos – e a consequente divulgação dos resultados – deve atrair novos interessados.
Entre os benefícios do processo, estão a redução de custos e a questão ecológica. Segundo a Guhring, o MQL proporciona diminuição de custos de processo entre 10 e 12%, basicamente pelo menor consumo de óleo refrigerante e a redução dos descartes.
Fala-se também em aumento da vida útil das ferramentas, mas Jerônimo frisa que “a Guhring não considera este um fator predominante no sistema”. E ele explica: o aumento da vida das ferramentas é atingido mais pela estabilidade do processo do que propriamente pelo MQL. “Como o processo promove a otimização dos parâmetros da máquina, melhor escoamento do cavaco etc. tende a aprimorar também a vida da ferramenta, mas esse não é o foco principal”.
De olho na tendência de crescimento do MQL no Brasil, Jerônimo conta que a fábrica da Guhring Brasil em Diadema está sendo organizada de modo a atender a oferta de produtos e serviços voltados para as ferramentas específicas para o processo. “O sistema MQL requer algumas especificações diferenciadas em relação às ferramentas tradicionais, quanto à geometria, acabamento de superfície, qualidade do metal duro e, em particular, no que se refere ao controle dimensional”.
Jerônimo informa que os investimentos necessários para essa adequação não serão grandiosos, até porque a fábrica brasileira já está bem equipada. Mas serão necessários novos equipamentos na área de controle da qualidade e periféricos.
Segundo Jerônimo, os novos projetos com as montadoras já terão impacto no faturamento da empresa em 2012 e devem contribuir para o esperado crescimento do volume de negócios da filial. “Devemos fechar 2012 com crescimento de 5 a 7% em relação ao ano passado”, conclui.