
(12/07/2026) – De acordo com projeção da CNI – Confederação Nacional da Indústria mostra que, caso as novas tarifas propostas pelos EUA entrem em vigor, 31,6% das exportações brasileiras aos Estados Unidos teriam uma tarifa de 37,5%, o que representaria um aumento de 27,5 pontos percentuais em comparação à tarifa atual de 10%.
Outros 3,6% das exportações teriam um aumento de 10% para 12,5%, um acréscimo de 2,5 pontos percentuais.
Ou seja, caso as recomendações sejam implementadas, 35,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a estar sujeitas às novas tarifas.
“A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo, baseado em critérios técnicos e na busca de soluções que preservem uma parceria econômica estratégica para ambos os países”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.

Empresários do Brasil e dos EUA se unem para evitar novas tarifas
Na última quinta-feira, A CNI – Confederação Nacional da Indústria, a Amcham e o U. S. Chamber divulgaram carta conjunta para defender a relação comercial estratégica entre o Brasil e os Estados Unidos e propor uma agenda de negociação estruturada. O objetivo é evitar a aplicação de tarifas adicionais na exportação de produtos brasileiros.
O documento, assinado pelas três entidades, é direcionado ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; ao ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira; ao representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer; e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Proposta de negociação – Para avançar na agenda e fortalecer a confiança das duas economias, a proposta do setor privado divide as negociações em duas fases: uma com ações de curto prazo e outra com medidas de longo prazo. Como prioridade imediata, pedem uma solução para a investigação sobre a Seção 301 que evite a aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros.
As entidades sugerem que os esforços sejam concentrados em temas de alto impacto:
- Maior acesso a mercados para determinados produtos, incluindo insumos industriais, bens de capital e produtos voltados à segurança energética, ao desenvolvimento de data centers e à infraestrutura de inteligência artificial;
- Mais cooperação regulatória para facilitar o acesso a mercados nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos;
- Apoio a extensão de longo prazo da moratória da OMC sobre a isenção de imposto de importação para transmissões eletrônicas;
- Mais agilidade no exame de patentes e redução do estoque (backlog) de pedidos de patente no Brasil, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, além de fortalecer o combate à pirataria e à contrafação;
- Avanço em uma cooperação acerca de minerais críticos sobre mapeamento geológico conjunto, pesquisa e desenvolvimento, investimentos para processamento e agregação de valor, assim como desenvolvimento de cadeias bilaterais de fornecimento seguras e resilientes;
- Implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC).
A longo prazo, as representantes do setor sugerem ampliar o diálogo para temas estruturais, como cooperação em minerais críticos, resiliência de cadeias de suprimentos, facilitação de comércio e segurança alimentar e energética.