
(18/06/2026) – A expansão da manufatura aditiva em metal no Brasil vem abrindo novas possibilidades para a indústria, especialmente em setores de alta complexidade como o automotivo e o metalmecânico. Inaugurado em 26 de março no Ágora Tech Park, em Joinville (SC), o laboratório MLab (W2F – Walbert Future Factory), coexecutado pela Walbert Modelação e Ferramentaria em parceria com o parque tecnológico, já começa a sentir os efeitos dessa demanda crescente.
De acordo com Edna Schmitt, conselheira de inovação na Walbert, a procura pelo serviço começou imediatamente após a inauguração. “Poucas semanas após o início das operações, empresas de grande porte passaram a buscar o espaço para projetos de pesquisa, desenvolvimento e prototipagem em impressão 3D metálica”, detalha. Entre os setores com maior interesse estão ferramentarias e fabricantes ligados à cadeia automotiva, especialmente em aplicações envolvendo alumínio e componentes para veículos eletrificados.
O espaço integra um ecossistema voltado à inovação industrial, reunindo manufatura aditiva em metal e resina, pesquisas com grafeno, realidade virtual e consultoria para captação de recursos destinados à inovação. Segundo Schmitt, o objetivo é acelerar a maturidade tecnológica das empresas brasileiras e fortalecer a competitividade da cadeia metalmecânica nacional frente à concorrência internacional, principalmente asiática.

Cluster Automotivo Catarinense – A iniciativa está conectada ao lançamento do Cluster Automotivo Catarinense, criado para aproximar empresas, universidades e centros de pesquisa em torno do desenvolvimento de tecnologias voltadas à indústria automotiva. O cluster nasceu já com a participação de empresas como WEG, Schulz, Pollux, Avell e AllTech, além de instituições como UFSC, Udesc e Ágora Tech Park. Atualmente, a rede reúne 88 empresas e 13 instituições ligadas ao ecossistema de inovação industrial.
A crescente utilização do alumínio em estruturas automotivas, motivada pela busca por redução de peso em veículos elétricos e híbridos, impulsiona também a demanda por moldes de alta complexidade. Nesse cenário, a impressão 3D em metal surge como alternativa estratégica para acelerar etapas de desenvolvimento, reduzir tempo de prototipagem e aumentar a eficiência produtiva.
O laboratório recebeu investimento de R$ 5,6 milhões, sendo R$ 4 milhões provenientes do Finep, por meio do programa Rota 2030, renomeado para Programa Mover.
O espaço foi estruturado para atividades de pesquisa aplicada, prototipagem e desenvolvimento de processos industriais mais eficientes, utilizando tecnologias como gêmeos digitais, impressão 3D, simulação industrial e usinagem CNC de alta precisão.
Embora a manufatura aditiva metálica ainda esteja fortemente associada a protótipos e aplicações específicas, a expectativa é que a tecnologia avance gradualmente para produções seriadas em nichos de alto valor agregado. “Hoje ainda trabalhamos muito com pesquisa e prototipagem. O processo passa por validação antes de chegar a uma escala maior”, explicou Edna Schmitt.
Além do atendimento a grandes empresas, o projeto também mira pequenas e médias indústrias. A proposta é utilizar a estrutura do cluster automotivo e do laboratório para ampliar o acesso dessas empresas à inovação, oferecendo suporte técnico, orientação estratégica e integração com outras organizações da cadeia produtiva.
A criação do ecossistema busca justamente combater gargalos históricos da indústria brasileira, especialmente em competitividade, prazo e eficiência. O movimento irá criar uma cadeia integrada, colaborativa e tecnologicamente preparada para enfrentar a concorrência internacional.