São Paulo, 18 de julho de 2026

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31/05/2026

Multinacional australiana investe em planta de terras raras em MG

(31/05/2026) – A mineradora australiana Viridis Brazil, subsidiária brasileira da Viridis Mining & Minerals, inaugurou na quinta-feira passada (28/05) o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais.

A unidade é considerada uma das maiores plantas demonstrativas de processamento contínuo de argilas iônicas para produção de carbonato misto de terras raras (MREC) fora da China, país que domina a cadeia global de refino e processamento desses minerais estratégicos.

O empreendimento integra o Projeto Colossus e já recebeu investimentos de cerca de R$ 200 milhões. Segundo a empresa, a inauguração da planta representa uma etapa decisiva para a implantação da futura operação industrial no estado, cujo investimento estimado ultrapassa US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,75 bilhão).

Nos últimos anos, Estados Unidos e países europeus intensificaram movimentos para reduzir a dependência global da China no fornecimento e processamento de terras raras, ampliando investimentos e parcerias estratégicas em projetos considerados prioritários em países aliados e fornecedores minerais.

Atualmente, a China concentra cerca de 90% da capacidade global de processamento e refino de terras raras e mantém posição dominante em uma cadeia considerada estratégica para a economia mundial.

Segundo a revista Brasil Mineral, o CPTR é o coração técnico e estratégico do Projeto Colossus. A Viridis teria identificado 493 milhões de toneladas de óxidos de terras raras de alta qualidade voltados à produção de ímãs permanentes em um vulcão extinto no país – reserva de dimensões que, por si só, já colocam o Brasil no centro das atenções geopolíticas da indústria global de minerais críticos.

“Neste cenário, Minas Gerais passa a ocupar posição relevante ao reunir reservas minerais, capacidade industrial, centros tecnológicos e ambiente favorável para o desenvolvimento de projetos ligados à nova economia verde e tecnológica”, destaca nota divulgada pelo governo de Minas Gerais.

“O projeto coloca Minas Gerais em um setor estratégico para o futuro da economia global. Estamos falando de uma cadeia ligada à transição energética, tecnologia e inovação, em um momento em que o mundo busca diversificar fornecedores e ampliar a segurança mineral fora da Ásia”, afirma o diretor de Atração de Investimentos da Invest Minas, Ronaldo Barquette.

O projeto – A planta inaugurada em Poços de Caldas com área fabril de 5 mil m² possui capacidade de processamento de 100 quilos por hora de minério argiloso, volume cerca de quatro vezes superior ao de plantas-piloto semelhantes em operação fora da China. A unidade produzirá elementos de alto valor agregado, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

O CPTR da Viridis contará com laboratórios, áreas de treinamento e estrutura voltada à formação de mão de obra especializada para as futuras operações comerciais do projeto.

A expectativa é de que o conjunto dos projetos da empresa australiana em Minas Gerais gere mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos até 2029, incluindo futuras plantas industriais, unidades de refino e operações voltadas à reciclagem de ímãs permanentes de terras raras.

O cronograma da companhia prevê a conclusão dos estudos definitivos de viabilidade ainda em 2026, com início das obras da planta industrial em 2027 e primeira produção comercial prevista para 2028.

Em entrevista à revista Brasil Mineral, José Marques Braga Junior, diretor Executivo da Viridis Brazil, explicou o significado da inauguração: “O centro representa a validação, em escala demonstrativa, da tecnologia que sustentará o processamento de terras raras no Projeto Colossus. Mais do que uma planta piloto, é uma prova tangível para as partes interessadas em todo o mundo de que a Viridis pode operar e processar com sucesso depósitos de argila iônica, reduzindo significativamente os riscos técnicos e operacionais.”

Ainda segundo a revista, a instalação é permanente e foi projetada para testar, validar e otimizar as tecnologias que serão implementadas na futura operação comercial da empresa, com início previsto para 2028. Com capacidade para processar 100 quilogramas de minério por hora e produzir até 2.920 quilogramas de MREC por ano, o CPTR posiciona a Viridis entre as poucas empresas ocidentais com capacidade técnica e operacional de processar continuamente depósitos de argila iônica e convertê-los em produtos comercializáveis de alto valor.

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