(08/07/2012) – No final de junho, o Instituto aço Brasil promoveu em São Paulo, durante o Congresso Brasileiro do Aço, o debate “Desindustrialização no Brasil: Como reverter o processo”. Do painel, além do Instituto Aço Brasil, que representa a siderurgia nacional, participaram representantes da Abimaq, do IEDI, da ABDI e da Força sindical.
Para Marco Polo de Mello Lopes, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, para o setor industrial e para os trabalhadores a desindustrialização é uma realidade e revertê-la é prioridade absoluta. “O volume de importação de aço supera a capacidade de produção de nossas maiores empresas”, alertou.
Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo do IEDI – Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, argumentou que “o processo de desindustrialização é visível. Não saímos do mapa, mas o Brasil perdeu espaço nos últimos 30 anos. Há um colapso na nossa exportação”. Em sua opinião, a situação é extremamente grave para a indústria brasileira, que responde por 16% do PIB nacional, mas está influenciando o contexto geral do país. “É importante fazer a reforma tributária e tornar o câmbio competitivo”, disse, frisando que ainda há tempo para uma reindustrialização.
“Muitos empregos foram perdidos nos últimos anos. Fábricas brasileiras faliram porque não conseguiram competir com produtos chineses, que chegam muito mais competitivos ao país. Só na indústria, foram mais de 500 mil vagas de empregos que deixaram de existir”, informou Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.
Com 25 anos de experiência na indústria de bens de capital, Luiz Aubert Neto, o presidente da Abimaq afirmou que, mais do que um grave processo de desindustrialização, o Brasil está passando por uma agressiva desnacionalização. “Várias grandes indústrias e empresas brasileiras foram vendidas para grupos estrangeiros”. Aubert lamentou também o fato de que o incentivo ao consumo promovido pelo governo não beneficia a cadeia produtiva nacional. “O governo tirou o IPI da linha branca. As vendas aumentaram, mas não reverteram para as indústrias que produzem peças para eletrodomésticos, cujas importações aumentaram”. Para o dirigente empresarial, uma solução é chamar a atenção para o problema com ações conjuntas da sociedade organizada.