
(27/05/2012) – Nas últimas semanas, o setor metal-mecânico brasileiro receava a chegada da Feira da Mecânica, realizada na semana passada em São Paulo. Com o acúmulo de fatos negativos nos últimos meses, desde a crise na Europa à queda dos índices de produção de vários setores, o evento tendia – na visão de muitas empresas – ao fracasso de público e, em especial, de negócios.
Mas o que se viu nos cinco dias do evento diferiu muito do quadro de paralisia dos negócios experimentado principalmente nos meses de abril e maio. Desde o primeiro dia, a feira recebeu bom número de visitantes, surpreendendo até os mais otimistas. É o que é melhor: um público de profissionais interessados em novas tecnologias, em discutir novos projetos e em realizar negócios.
“Havia apreensão com relação ao momento econômico, mas a feira foi uma surpresa positiva, tanto do ponto de vista de negócios, quanto pela visitação fantástica”, avalia Siegrfried Koelln, diretor da SKA Automação de Engenharias. Alcino Bastos, gerente-geral da Okuma Latino Americana concorda: “O ambiente pré-feira não era positivo, por isso estou surpreso com o número de visitantes e de negócios”.
Hermes Lago, diretor de Comercialização de Máquinas-Ferramenta da Romi, faz avaliação semelhante. “A feira foi boa, principalmente pela falta de perspectiva no período anterior ao evento”, observa. Por outro lado, lembra que a Romi acreditava numa recuperação do mercado, tanto que manteve o ritmo de produção nos últimos meses. “Foi uma decisão acertada. Ter estoque de máquinas num momento de retomada é fundamental para atender aos clientes na velocidade que eles necessitam”.
Para Décio Lima, diretor da DMG do Brasil, a feira foi muito positiva, tendo realizado diversos contatos e inúmeros negócios. Em sua avaliação, o estande recebeu 25% mais visitantes que na edição anterior da Mecânica, em 2010. “E o que é mais importante: pessoas interessadas em discutir projetos”.
“Registramos volume de negócios superior a nossa expectativa inicial, mas o que nos deixou mais animados foi o bom volume de consultas”, disse Alfredo Ferrari, diretor de Vendas da Ergomat. Para o executivo, este pode ser um sinal de que o mercado está se preparando para uma retomada dos investimentos e um novo ciclo de crescimento industrial.
DOLAR – Já para os importadores, as últimas semanas trouxeram ainda outro fator de desestabilização, com a brusca variação do valor do dólar. Stefan Lee, presidente do Grupo Megga, diz ter-se lembrado inclusive da Techmei em 2008, realizada exatamente num momento de alta do dólar (chegou a R$ 2,20) e que esvaziou a feira. Por segurança, Lee decidiu fixar um valor do dólar (abaixo da cotação atual) e reforçar as linhas de financiamento. “Deu certo. A feira foi boa. Tivemos estandes lotados e os negócios ficaram acima da expectativa”.
“Começamos a enxergar a luz no fim do túnel”, observa Paulo Lerner, diretor da Bener, lembrando que, apesar de um bom primeiro trimestre, as vendas das empresas do Grupo Bener registraram queda brusca em abril. Para Lerner, os negócios realizados durante a feira talvez sejam uma antecipação da decisão de compra dos clientes, em função das medidas anunciadas pelo governo.
“A feira foi excelente”, resume Mauro Trevisan, gerente de marketing da Deb´Maq. “E o sábado foi o melhor dia para a realização de negócios”, informou. Durante o evento a empresa fechou a comercialização de 130 máquinas. “Mas esperamos chegar a 200 máquinas vendidas ao longo desta semana”.