(11/07/2010) – O nível de utilização da capacidade instalada da indústria brasileira recuou 0,5% em maio na comparação com abril, ficando em 82,3%. O indicador está 0,9% abaixo dos 83,2% registrados em setembro de 2008, quando eclodiu a crise financeira nos EUA que freou a economia mundial. Os dados são da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada nna semana passada pela CNI – Confederação Nacional da Indústria.
Segundo o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, o uso da capacidade instalada deve se estabilizar em torno de 83%. “Houve uma grande ociosidade na indústria no período da crise. O processo recente de expansão de utilização da capacidade instalada mostra a redução da ociosidade”, explicou Castelo Branco.
De acordo com o estudo mensal, depois da queda registrada em abril, os demais indicadores voltaram a crescer. O faturamento da indústria aumentou 2,1% em maio frente a abril, também na série com ajuste sazonal. No mesmo período, as horas trabalhadas na produção aumentaram 1%. Na média de janeiro a maio, o faturamento teve alta de 12,5% e as horas trabalhadas na produção aumentaram 1,5% na comparação com igual período de 2009.
O elevado ritmo de expansão da atividade aquece o mercado de trabalho. O emprego na indústria aumentou 0,4% em maio frente a abril, na série com ajuste sazonal. Foi o décimo mês consecutivo de expansão do emprego, que já está 0,2% acima do registrado em setembro de 2008, quando começou a crise internacional. Na média de janeiro a maio deste ano, o indicador registra incremento de 3,9% na comparação com os mesmos meses de 2009.
Os salários também continuam aumentando. Em maio, subiram 7,4% frente ao mesmo mês do ano passado. Nesta base de comparação, esse é o maior ritmo de crescimento dos salários registrado desde o início da série, em janeiro de 2006. Castelo Branco explica que a expansão dos salários é resultado do aumento da oferta de emprego e não do rendimento do trabalhador. Ao contratar mais trabalhadores a indústria produz mais e tem condições de atender ao aumento do consumo. “Por isso, não há tendência de pressões inflacionárias”, explica o economista.
Conforme os Indicadores Industriais, os setores que tiveram maior crescimento da atividade foram os produtos de metal, couros e calçados, material eletrônico e de comunicação, máquinas e materiais elétricos e máquinas e equipamentos. Conforme a pesquisa da CNI, a expansão de alguns desses setores, como o de máquinas e materiais elétricos, são importantes para a manutenção do crescimento econômico. O faturamento desse setor cresceu 18,3%, as horas trabalhadas tiveram elevação de 23,7% e o emprego aumentou 8,8% em maio deste ano na comparação com maio de 2009.