(13/12/2009) – As empresas que atuam no mercado de distribuição e comercialização de máquinas importadas estimam que em 2010 o volume de vendas do setor deve crescer 50% em relação a 2009. Apesar do índice de crescimento expressivo, o volume de negócios ainda deve ficar bem abaixo do atingido em 2008.
Thomas Lee, presidente da Abimei (Associação Brasileira de Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais), explica que o setor está fechando 2009 com faturamento de cerca de US$ 1,5 bilhão, com queda de 45% sobre o total de 2008, quando os negócios atingiram US$ 2,6 bilhões. O volume de 2009 é inferior inclusive ao de 2007, que foi de US$ 2 bilhões. “O mercado ficou praticamente paralisado no primeiro semestre”, informa Lee.
Dividindo o ano em quadrimestres, Lee qualifica o primeiro período de “horrível”, marcado não só pela paralisação dos negócios como pelos cancelamentos. No segundo foi possível notar uma inversão de tendência e, enfim, o terceiro que praticamente salvou o exercício. “Alguns associados conseguiram, neste último quadrimestre, retornar os níveis obtidos em 2008”, informa. “Principalmente aqueles que trabalham com máquinas para plástico, setor mais ligado ao consumo”.
E é a partir dos negócios realizados no último quadrimestre que a entidade faz suas previsões para 2010. “Creio que chegamos num novo patamar e, a partir daqui, o crescimento tende a ser mais lento que neste último período de 2009”, analisa.
Na avaliação do presidente da Abimei, o setor foi um dos que mais sofreu com a crise financeira, devido à somatória de quatro fatores: alta ociosidade das indústrias, queda nas exportações, falta de crédito para bens de capital importados e inadimplência elevada. “O crédito sumiu para todos os setores, mas a falta de uma política de financiamento para a renovação do parque industrial brasileiro, sobretudo em relação às máquinas importadas, dificultou extremamente o nosso segmento”.
Por outro lado, diz ele, o real forte e a queda de consumo nos países mais desenvolvidos derrubaram as exportações e a inadimplência no setor, que era praticamente zero, chegou a 5%, “o que é muito alta para nós”, afirma Lee. Para o presidente da Abimei, o estímulo à indústria automotiva e de linha branca foram pontos positivos da política econômica do governo para enfrentar a crise, mas como os estoques estavam muito altos, somente no final do ano o setor começou a sentir os seus efeitos. “As empresas importadoras ainda estão se reorganizando, depois de tantas dificuldades enfrentadas em 2009”, afirma.
Formada em 2003, a ABIMEI possui 82 associados, que representam mais de 80% dos importadores de máquinas-ferramenta e equipamentos industriais no Brasil.