(29/11/2009) – Pelo terceiro ano consecutivo, a balança comercial do setor de autopeças vai registrar déficit. O último número disponível, de setembro, registra saldo negativo de US$ 1,76 bilhão entre as exportações e importações do setor. Segundo o Sindipeças, até o final do ano o déficit pode superar o registrado em 2008, de US$ 2,5 bilhões.
As exportações brasileiras de janeiro a setembro, para 170 países, somaram US$ 4,5 bilhões, valor 43% menor que o registrado em igual período de 2008. As vendas para a Argentina, maior compradora de autopeças brasileiras, caíram em 33%. Para os Estados Unidos, que está em segundo lugar na lista, a queda foi de 57%. Já as importações estão caindo em volume menor, de 35,2%: de US$ 9,6 bilhões para 6,2 bilhões.
Para o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, a redução nas alíquotas de importação de peças – ocorrida há quatro anos – foi o primeiro golpe na indústria, que já havia consolidado uma balança comercial superavitária. “Com a diminuição do imposto, as subsidiárias instaladas aqui passaram a importar muito mais das matrizes em vez de produzir internamente”, diz, acrescentando que “a valorização cambial acabou por intensificar esse processo, já que os importados ficaram mais baratos”.
Com o câmbio atual, até fabricantes nacionais, como Marcopolo e Agrale, estão desistindo de exportar autopeças do Brasil para suas fábricas no Exterior. Segundo a Marcopolo, nas fábricas do México, Argentina e Colômbia, 70% das peças utilizadas são adquiridas localmente e os planos são superar 90% em meados de 2010. (No Brasil, a empresa usa entre 5% e 10% de peças importadas, mas a tendência é aumentar.) Já a Agrale, com forte presença na América Latina, África e Oriente Médio, está revisando, por exemplo, toda a sua cadeia de fornecedores. A idéia é incluir mais fornecedores estrangeiros na cadeia, principalmente da Ásia.
O aumento do déficit na balança comercial de peças ocorre em um período em que as importações dos próprios fabricantes de componentes são menores, o que leva a crer que as montadoras estão comprando mais peças no exterior. Aliás, no período janeiro a julho de 2009, seis fabricantes de veículos se encontravam entre as 15 maiores empresas importadoras do Brasil. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), o total de compras destas empresas (somando carros e componentes) totalizou US$ 4,175 bilhões.
De acordo com a Anfavea, o volume de veículos importados (licenciados) de janeiro a outubro de 2009 cresceu 21,6%. No mesmo período, as exportações de veículos caíram 42%.