(27/09/2009) – Setor que fechou 2008 com faturamento de US$ 10,5 bilhões e 3,35 milhões de toneladas produzidas, a fundição nacional registra queda expressiva em 2009. De janeiro a julho, a produção nacional de fundidos caiu 41,7%, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Apesar desses números, o setor demonstrou certo otimismo durante a realização da 13ª. Fenaf – Feira Latino-Americana de Fundição, na semana passada em São Paulo. Devanir Brichesi, presidente da Abifa, acredita que a retomada dos negócios de caminhões e bens de capital trará resultados positivos para o setor. Ainda assim, acredita que o faturamento da indústria de fundição deve fechar 2009 com queda de 20 a 25% em relação a 2008.
O setor foi bastante afetado pela queda verificada no setor automotivo (que responde por 53% do consumo nacional), bens de capital e máquinas agrícolas. Além disso, a recuperação verificação na produção de automóveis não teve o reflexo esperado no setor. “Percebemos um descolamento entre a produção nacional de veículos e o consumo de fundidos, o que se deve a variação de estoques e também a importação de alguns subconjuntos”, diz Brichesi. O presidente acrescenta, porém, que “a nossa visão é otimista. O setor automotivo vai bem e em breve iremos acompanhá-lo, principalmente com a retomada da venda de pesados deve ocorrer um realinhamento”.
Outro dado que justifica otimismo do setor são os investimentos anunciados pelo governo federal na área de infra-estrutura para a exploração do pré-sal, que segundo a Abifa somam cerca de US$ 500 bilhões. “As fundições entram em cena com o fornecimento das válvulas para essa exploraçãochr38quot;, afirma Remo de Simone, diretor da Fenaf.
As exportações também foram afetadas significativamente em 2009: o volume exportado caiu 60,8% e o faturamento, 54,2%. O mercado externo representa cerca de 10% da produção nacional. “O grande consumidor do fundido brasileiro é o próprio Brasil”, afirma o diretor da Fenaf. Em sua opinião, a exportação continua a ser a menina dos olhos de qualquer país. No caso do Brasil, há um empenho muito grande por parte dos governantes para que isso seja impulsionado. De qualquer forma, para Remo, o mercado doméstico é o que deve crescer mais nos próximos anos.
Atualmente, o Brasil é o 7º produtor mundial de fundidos de ferro, aço e não-ferrosos. Com cerca de 1.400 empresas, que geram 57 mil empregos, o mercado brasileiro de fundição exportou 614,5 mil toneladas para todo o mundo, em 2008, principalmente para os Estados Unidos e Europa, com faturamento de US$ 1,49 bilhão.