São Paulo, 19 de junho de 2026

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30/11/2008

Montadoras dão férias coletivas; autopeças demitem

(30/11/2008) – Após um longo período com o pé no acelerador, as montadoras estão sendo obrigadas o trocar de pedal. Com o pé no freio, calcula-se que entre 47 mil (Folha de S. Paulo) e 60 mil (O Estado de S. Paulo) funcionários de montadoras estarão em férias coletivas neste final de ano. Em reação a esse movimento, as sistemistas e autopeças iniciaram as demissões.

Com queda de 25% nas vendas de automóveis em novembro (comparadas a de novembro de 2007), Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford estão intercalando paradas em todas as fábricas no País. Na GM, onde as coletivas tiveram início em outubro, 5,2 mil funcionários da montadora e dos fornecedores que operam dentro da fábrica de Gravataí (RS) ficarão em casa por cerca de 50 dias. Em São Caetano, cerca de 5 mil metalúrgicos completarão 45 dias de dispensa. A PSA Peugeot Citroën anunciou que dará férias coletivas para 3,5 mil funcionários em Porto Real (RJ), entre 8 de dezembro e 7 de janeiro de 2009. Os 700 funcionários do terceiro turno ficarão em casa por quatro meses a partir de dezembro.

As montadoras de caminhões também já anunciaram que irão para neste final de ano. A Scania vai interromper a produção de 15 de dezembro a 18 de janeiro. A Ford Caminhões anunciou três medidas: suspensão da produção aos sábados; recesso de 15 de dezembro a 2 de janeiro; e adiamento da implantação do segundo turno, prevista para janeiro de 2009. Na Iveco, os trabalhadores terão 30 dias de férias coletivas, de 15 de dezembro a 14 de janeiro.

Se entre as montadoras ainda não se fala em demissões, entre as sistemistas e autopeças a situação é bem diferente. Em dezembro de 2006, o setor empregava 199 mil trabalhadores, número que chegou a 231,9 mil em setembro de 2008. Em outubro, esse número caiu para 231,2 mil. Quando contabilizados os números de novembro, a redução deve ser bem maior. Nas últimas semanas cerca de 2.100 funcionários foram demitidos no Interior de São Paulo.

Em Camaçari, o sindicato já batizou o próximo período como as “férias do terror”. Cinco das 27 sistemistas da Ford Nordeste já fizeram demissões. “Foram demitidos 47 funcionários, mas poderiam ser bem mais. O terror já tomou conta dos funcionários em férias, pois eles não sabem o que acontecerá a partir de janeiro”, afirmou Júlio Bonfim, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari.

No Paraná, o presidente do Sindimetal (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico), Roberto Karam, prevê que cerca de 5 mil postos de trabalho deverão ser atingidos, caso os efeitos da crise não sejam revertidos. O setor automotivo emprega cerca de 25 mil trabalhadores no Estado.

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba acredita que as demissões previstas pela entidade patronal não vão ocorrer. A assessoria do Sinfavea, que representa as montadoras, preferiu não comentar as previsões do presidente do Sindimetal.

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