(02/09/2007) – Desde a semana passada qualquer talha manual (equipamento de elevação de carga) importada da China será taxada em US$ 114,14 (por produto), não importando o valor registrado na guia de importação. A Camex – Câmara de Comércio Exterior aprovou a aplicação de direito antidumping contra a China em pedido solicitado pela Abimaq.
A entidade entrou com a petição em defesa de duas de suas associadas, Berg-Stehl e Koch Metalúrgica. No processo foi utilizado, como referência, o preço internacional de US$ 88,06 por peça, enquanto as talhas chinesas chegavam ao Brasil a US$ 12,44. A este preço, os produtos chineses saltaram de 28,4% de participação no mercado brasileiro em 2003 para 43,7% em 2005.
INJETORAS – Trata-se do primeiro processo antidumping conquistado contra importações chinesas pela Abimaq. A entidade tem ainda outros oito processos em análise, com destaque para o de injetoras de plástico. Segundo a entidade, as máquinas da China chegam ao Brasil, em média, ao preço de US$ 4,5 o quilo, contra os US$ 30/kg da Alemanha e US$ 27/kg dos EUA. Levantamentos da Abimaq indicam que as injetoras chinesas já conquistaram mais de 60% do mercado brasileiro.
Segundo Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, a tramitação do processo de antidumping contra as talhas manuais chineses demorou cerca de 1,5 ano, mas a vitória é um alento para a indústria nacional. “Em 2007, de janeiro a julho, as importações de máquinas e equipamentos chineses já cresceram 106,2%”, afirma. “Há cinco anos, a China nem constava do ranking dos principais países exportadores de máquinas para o Brasil. Agora já está em quinto e estimamos que até o final do ano ocupe o terceiro lugar, ultrapassando Itália e Japão”.
Armando Meziat, secretário de Comércio Exterior do MDIC, explica que o direito antidumping aplicado às importações de talhas manuais da China é definitivo e terá duração de até cinco anos. Com esse processo, o Brasil passa a ter 17 aplicações do direito contra a China e 12 casos sob investigação. “Esses números são indicativos da reação brasileira frente às importações predatórias da China”, afirmou Meziat.