(15/08/2021) – A Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores apresentou na última terça-feira, 10, um plano para a descarbonização gradual da frota automotiva brasileira.
O plano foi desenvolvido pela entidade em parceria com o Boston Consulting Group (BCG) e tem como estratégia a eletrificação da frota circulante.
Numa primeira etapa, porém, a meta é reduzir até 2035 as emissões em até 15% pelo uso mais intensivo de etanol e outros biocombustíveis.
De acordo com projeções do estudo, os veículos eletrificados, compostos pelos puramente elétricos e os híbridos, deverão representar 12% das vendas internas em 2030 e 33% cinco anos depois, contra menos de 1% hoje.
“Para chegarmos a um cenário semelhante ao da Europa, que alcançará 100% das vendas de elétricos e híbridos até 2035, precisaríamos investir em torno de R$ 14 bilhões só em infraestrutura”, explicou Massao Ukon, sócio do BCG.
Segundo ele, seriam necessários pelo menos 150 mil postos de carregamento de baterias espalhados pelo país para atender uma demanda equivalente no Brasil.
A maior disseminação do uso dos biocombustíveis ocorreria ao mesmo tempo que a substituição dos carros mais velhos e poluentes, que usam só gasolina, por modelos que aceitam o etanol em seus motores, por exemplo.
Isso exigiria, de acordo com o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, o estabelecimento de um novo ciclo de desenvolvimento na indústria automobilística do país, e que poderia envolver investimentos de R$ 150 bilhões até 2035.
“Mas, para tudo isso, o setor precisaria do apoio de políticas públicas voltadas, principalmente, à renovação da frota”, observa Moraes.
Segundo o presidente da Anfavea, o plano traria outra vantagem para o país além da redução de emissões, já que ajudaria a resolver o problema da capacidade ociosa das fábricas instaladas no Brasil, que hoje beira os 50%.
“Um novo ciclo de investimentos evitaria os riscos de parte dessa indústria desaparecer”, sublinha o executivo. “Ademais, também promoveria no mundo o know-how brasileiro no uso do etanol e outros biocombustíveis, municiando melhor o país nesta batalha global pela busca de energias veiculares mais limpas”.