
(18/07/2021) – Com a retração do mercado no ano passado, a matriz da Okuma revisou para baixo as metas da filial brasileira em cerca de 40%. O aumento dos negócios no final do ano possibilitou à filial alcançar o novo objetivo (e até superá-lo em alguns pontos percentuais) no ano fiscal em concluído em março. Já para este novo exercício foram acertadas metas bem mais ousadas.
“Quando recebi os novos números cheguei a ficar preocupado”, comenta Duarte Alves, diretor Comercial da Okuma Latino Americana. “Passados alguns meses e olhando agora para a nossa carteira de pedidos, acho mais plausível atingi-los”, diz, observando que a nova meta já considerava os números obtidos subsidiária dos Estados Unidos, mercado que retomou mais rapidamente.
Em sua avaliação, o mercado de máquinas no Brasil está em trajetória ascendente desde março, com a realização de negócios e muitas cotações em andamento com grandes possibilidades de fechamento neste segundo semestre.
Para o executivo, os sinais até aqui são positivos, mas é preciso ser realista, pois existem muitas variáveis que podem influenciar o processo de retomada. Entre estas, cita o aumento dos preços das matérias-primas, a questão dos fretes internacionais (“nossos clientes têm dificuldades não só de trazer máquinas importadas, como peças necessárias a sua produção”), o retorno da inflação e a questão política interna. Sem esquecer da pandemia, ainda que a vacinação tenha ganhado ritmo nas últimas semanas, devido aos riscos representados por novas variantes.
“Se nada atrapalhar e tudo transcorrer dentro da normalidade, vejo a possibilidade de fecharmos este exercício com bons resultados. Já tem quem projete um crescimento do PIB próximo a 5%, o que seria muito bom para a indústria brasileira”, avalia.
DOIS MOMENTOS – Duarte Alves diz ter notado dois momentos distintos nesse processo de aquecimento do mercado. Num primeiro momento, ainda no ano passado, parecia que a tão aguardada “abertura das gavetas de projetos” havia chegado. As demandas demonstravam planejamento, incluiam soluções completas, automação, acessórios, com objetivos nítidos de ganho de produtividade, qualidade, competitividade. Já num segundo momento, a partir de março, com a aceleração do processo de aquecimento surgiu a urgência, a pronta entrega e as questões que envolviam planejamento já pareciam descartadas.
“No ano passado, a procura tinha foco em máquinas com soluções embarcadas, mais recursos, uma demanda muito interessante para a linha da Okuma, de máquinas high end. Na medida em que o mercado aquece de forma irregular o que se nota é que diminuíram os requisitos”, explica.
Na avaliação de Duarte, este fato provoca distorções que impedem a real modernização do parque fabril brasileiro. Embora o aquecimento, obviamente, seja positivo, “o ciclo se repete no Brasil e as empresas não conseguem se planejar. O mercado aquece numa velocidade rápida, surge o desespero para encontrar máquinas e os clientes não conseguem se programar e buscar a melhor solução com redução de custos de produção”.
“As vendas dos fornecedores que têm máquinas à pronta entrega estão em alta, pois alguns clientes estão precisando de máquinas para ‘ontem’”, diz. Neste sentido, informa que tem sido de grande ajuda contar com o estoque da Okuma América, que costuma manter em média mais de 800 máquinas. “Aliás, nos Estados Unidos, a Okuma está batendo recordes todos os meses”, comenta.
GRANDE PORTE – De acordo com o diretor da Okuma, os setores responsáveis pelo aquecimento atual são as indústrias de máquinas agrícolas, caminhões, válvulas, ferramentarias e, mais recentemente, o de máquinas de construção. Outros setores, como o de autopeças, ainda estão com capacidade ociosa, trabalhando para colocar todas as máquinas em funcionamento ou abrindo novos turnos de trabalho.
Duarte informa que, atualmente, a procura por tornos é maior que a procura por centros de usinagem. “Em geral, são máquinas de grande porte para a produção de peças grandes”, observa e acrescenta: “Se antes as vendas estavam concentradas em máquinas com pallet de 400 mm, agora a demanda é por máquinas com pallets de 800 a 1250 mm”.
