(14/02/2021) – A Nardini – fabricante de máquinas e de fundidos – deu entrada em um novo pedido de recuperação judicial, no último dia 4 de fevereiro. O pedido anterior, de outubro de 2020, foi cancelado cerca de um mês depois.
Conforme publicado no site do Valor Econômico, as dívidas da empresa somam R$ 61,7 milhões. Porém, uma pesquisa na Lista de Devedores da PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) mostra um volume muitas vezes superior, da ordem de R$ 1,2 bilhão, somando débitos tributários, dívidas previdenciárias, multas trabalhistas e demais débitos não tributários. Parte dessa dívida tem origem na administração anterior, quando ainda pertencia à família fundadora da empresa.
O plano de recuperação judicial foi apresentado à 2ª Vara Cível de Americana, cidade onde fica a sede da empresa, fundada em 1908. O objetivo da companhia é equacionar as dívidas com os ativos e a atual geração de caixa. O novo plano foi apresentado após a Nardini resolver um bloqueio em sua inscrição estadual. O responsável pelo processo é o advogado Gabriel Battagin Martins, do Pelozato Henrique Advogados.
“É notório que a Nardini carrega problemas financeiros do passado, mas se você analisar a empresa hoje, com suas despesas correntes, ela é uma empresa lucrativa, ela gera caixa”, argumenta o advogado. “Agora, se você pegar problemas trabalhistas, tributários e de outras naturezas você acaba vendo uma dificuldade na recuperação da empresa”.
Já há algum tempo a empresa vem passando por dificuldades. Em março de 2020, o MPT – Ministério Público do Trabalho havia pedido a intervenção judicial da empresa para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas e previdenciárias.
“O processo de recuperação judicial, num primeiro momento, vai criar uma blindagem para que a empresa possa trabalhar tranquilamente. Os valores pendentes vão ser discutidos e pagos na recuperação judicial”, disse o advogado Martins na época.
Procurada pela reportagem do site Usinagem-Brasil, a empresa preferiu não se manifestar sobre o assunto.