(30/08/2020) – “Nossa expectativa é ter um bom segundo semestre”, comenta João Carlos Visetti, CEO da Trumpf Brasil, filial da fabricante alemã de máquinas de corte a laser. O executivo afirma que a filial brasileira registrou queda nas vendas no primeiro semestre, período em que se manteve com as instalações de máquinas comercializadas na segunda metade de 2019 e serviços de manutenção, mas o novo ano fiscal começou positivo: julho foi o melhor mês do ano, registrando venda de máquinas e entrada da empresa em novos projetos.
Visetti explica que, assim como os demais mercados globais, o Brasil sofreu com a pandemia de coronavírus e o agravamento da crise econômica. No entanto, a posição do país no ranking do grupo nas Américas não sofreu alteração. “A nossa representação se manteve inalterada, dentro do bloco, que é liderado pelos Estados Unidos. E permanecemos na liderança de máquinas de corte a laser 2D no Brasil”, salienta.
Para o executivo, a pandemia do novo coronavírus começa a mostrar uma luz no fim do túnel: “Ninguém sabe ainda o que vai acontecer, mas tudo indica que iniciamos um momento de reorganização da economia. A reabertura das cidades e o desenvolvimento de vacinas promissoras, em fase adiantada, são bons indícios”, diz.
BALANÇO GLOBAL – O Grupo Trumpf divulgou os dados preliminares para o ano fiscal 2019/20, encerrado em 30 de junho, que indicam declínio em torno de 8% nas receitas. As vendas totalizaram 3,5 bilhões de euros contra 3,8 bilhões de euros no ano fiscal 2018/19. A entrada de pedidos ficou em 3,3 bilhões de euros, 11% abaixo dos 3,7 bilhões de euros do ano fiscal anterior.
A Alemanha continua sendo o maior mercado individual para o Grupo, com vendas de 610 milhões de euros. Em seguida vêm os EUA, com 490 milhões de euros; a Holanda, ao redor de 480 milhões de euros, devido aos negócios EUV (a tecnologia Extreme Ultraviolet, da ASML, parceira da Trumpf, usada para fazer semicondutores para a indústria eletrônica) seguidos pela China, com cerca de 350 milhões de euros.
Na avaliação de Nicola Leibinger-Kammüller, presidente do Grupo e CEO do Conselho de Administração, desde 2018 a economia mostra-se enfraquecida, levando os clientes a uma relutância em investir, principalmente na Alemanha. “Atribuímos isso à incerteza associada à mudança estrutural na indústria automotiva, entre outras coisas. Observamos que o coronavírus intensificou essa tendência e agiu como um catalisador – uma crise dentro de uma crise, por assim dizer. A questão central aqui é a incerteza sobre a duração da pandemia e a adoção de medidas apropriadas por parte dos governos”, comentou.