São Paulo, 30 de junho de 2026

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15/08/2020

Sindicato do ABC quer negociar implantação de novas tecnologias

(16/08/2020) – Uma proposta inédita no Brasil, que está sendo defendida na campanha salarial deste ano pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, pode tirar dos empresários do setor o poder absoluto que hoje eles detêm na implantação de novas tecnologias em suas instalações fabris.

O sindicato defende a inclusão, nas Convenções Coletivas de Trabalho, de uma cláusula social específica que dê aos trabalhadores o direito de intervir nos processos de modernização industrial.

De acordo com a nova cláusula, a empresa teria de comunicar com antecedência ao sindicato a sua intenção de investir em novas tecnologias.

“Poderíamos, assim, atuar para manter os postos de trabalho, ter tempo para fazer a recolocação ou a recapacitação dos trabalhadores e até participar das eventuais reorganizações de áreas”, explica o diretor administrativo do sindicato, Wellington Messias Damasceno.

Segundo o dirigente, é inegável que as novas tecnologias têm um impacto muito grande no emprego e que a participação do sindicato nesse processo poderia minimizar esses impactos.

Damasceno diz que os metalúrgicos do ABC sempre defenderam o desenvolvimento da indústria nacional e de modo algum são contra o investimento em novas tecnologias, muito pelo contrário.

“O que não queremos é ser pegos de surpresa, vendo a empresa fazer investimentos de uma hora pra outra e só comunicando o sindicato na hora das demissões”, sublinha. “Pretendemos apenas conhecer previamente esses investimentos, assim como discutir a forma como eles serão aplicados e seus impactos sobre os trabalhadores”.

Prova do interesse dos trabalhadores na modernização tecnológica, afirma Damasceno, estaria em outro ponto da pauta de reivindicações, que é a defesa urgente de um projeto de reindustrialização do país, com a nacionalização de componentes, máquinas e equipamentos.

“Para isto, defendemos também a reconversão industrial, de modo a reduzir a importação de equipamentos, máquinas e peças e investir na produção local”, diz. “Na prática, o que estamos propondo é incentivar a pesquisa e o desenvolvimento no país, para atualizar o nosso parque industrial, dar um salto tecnológico e assim preservar os empregos aqui”.

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