(16/08/2020) – A General Motors apresentou esta semana, aos sindicatos dos metalúrgicos de São Caetano do Sul e de São José dos Campos, a abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e a prorrogação dos lay-offs nas fábricas que mantêm nestas cidades paulistas.
A montadora afirma que, com estas medidas, pretende realizar a adequação de suas plantas ao difícil momento vivido pelo setor, provocado em boa parte pela pandemia da Covid-19. Os dois sindicatos estão em negociação com a montadora para a preservação dos empregos.
Apresentada na última segunda-feira, 10, a proposta da GM já foi aprovada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, por meio de assembleia online. Também foi aprovada a extensão do uso do banco de horas.
O sindicato de São José recebeu a proposta na quinta-feira, 12, e ainda irá colocá-la em discussão com os trabalhadores.
O PDV será aberto a trabalhadores de todas as áreas. Os benefícios, escalonados de acordo com o tempo de casa de cada funcionário, preveem salários adicionais, extensão do convênio médico e, de forma um tanto bizarra, um carro Onix Joy Black, que custa hoje R$ 55,9 mil nas concessionárias.
A GM também propõe a prorrogação do lay-off (suspensão do contrato de trabalho) até novembro, com pagamento de 100% do salário líquido, sendo R$ 1.813 pagos pelo governo e o restante, coberto pela companhia.
O lay-off poderá ser ampliado por mais cinco meses, dependendo das condições do mercado, com manutenção do salário integral, neste caso bancado totalmente pela montadora.
A unidade de São Caetano tem hoje cerca de 4,5 mil trabalhadores horistas e produz os modelos Chevrolet Joy, Joy Plus, Tracker, Spin e Montana. A fábrica de São José, que conta com 3,8 mil funcionários, é responsável pela fabricação da S10 e da Trailblazer.
Nas negociações, o sindicato de São José colocou na mesa a proposta de estabilidade para todos os trabalhadores. “O sindicato se mantém na defesa dos empregos, especialmente neste momento tão crítico em que a população está sofrendo as consequências da pandemia. Somos contra qualquer tipo de demissão, inclusive o PDV, mas a decisão cabe aos trabalhadores”, afirma o vice-presidente da entidade, Renato Almeida.