São Paulo, 30 de junho de 2026

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04/07/2020

Máquinas e equipamentos tem pior maio em cinco anos

(05/07/2020) – No mês de maio, a indústria de máquinas e equipamentos assistiu, pelo segundo mês consecutivo, a uma queda em seu faturamento. Em relação a abril, de acordo com indicadores conjunturais divulgados pela Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a retração foi de 13,7% – o pior resultado para o mês de maio dos últimos cinco anos.

No acumulado, de janeiro a maio, a receita total do setor registrou R$ 46,3 bilhões no acumulado do ano, o que representa retração de 7,7%. No mercado interno, as receitas caíram 14,3% em maio (em abril havia sido de 26,2%). No acumulado do ano, a queda é de 7,4% em relação ao mesmo período de 2019. “O setor teve uma queda importante. A notícia menos ruim é que não foi tão grande como a gente esperava”, afirma José Velloso, presidente executivo da Abimaq.

Em relação às exportações, a Abimaq aponta que o setor já apresentava sucessivas retrações desde novembro de 2019, portanto antes da chegada da pandemia, devido à desaceleração do mercado internacional. Em maio, as exportações do setor atingiram US$ 516 milhões, com recuo de 34,7% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, as receitas do mercado externo sofreram queda de 23,6%.

Apesar da retração do mercado interno, no acumulado do ano o consumo aparente cresceu 12,2% em 2020. De acordo com a Abimaq, no mês de maio, a queda de 10,7% do consumo aparente refletiu a redução das importações devido à recessão da atividade econômica brasileira e a cautela dos setores produtivos quanto a novos investimentos no curto prazo.

A utilização da capacidade instalada do setor é 70%. Segundo Velloso, além da questão do coronavírus, as empresas já vinham – desde 2013 – passando um por redução em suas linhas de produção devido à crise econômica, o que impacta no índice de 23% de ociosidade fabril. A carteira de pedidos da indústria de máquinas permaneceu igual aos últimos três meses, de nove semanas em média para atendimento dos pedidos.

Em relação aos empregos do setor, houve uma redução de 4%, o que significa 12.500 postos de trabalho a menos em relação a maio de 2019. Velloso classifica a queda como baixa e afirma que ela é reflexo das medidas do governo, que foram bem recepcionadas pelo setor.

A Abimaq aponta que, juntos, os índices podem sugerir que o setor tenha chegado ao seu limite em termos de impactos da pandemia. Para a entidade, a reversão deste cenário depende de medidas de estímulo à economia.

Velloso diz que a Abimaq está trabalhando junto ao Governo Federal para que haja a prorrogação das medidas de redução de jornada de trabalho e layoff. Além disso, a entidade pede o não veto do artigo 33 da MP 936, que traz a prorrogação (até dezembro de 2021) da desoneração da folha de pagamentos. O presidente executivo também afirma que a associação está dialogando com o Ministério da Economia para a diminuição dos juros de financiamentos como o FGI (Fundo Garantidor de Investimentos, do BNDES), que variam de 16 a 20% ao ano. “O crédito ainda é o principal problema dos fabricantes de máquinas e equipamentos. Estamos em contato com o Ministério da Economia, junto ao Paulo Guedes, sugerindo uma mudança nas taxas de juro. O FGI deve rodar porque existe uma busca muito grande por crédito, nosso inconformismo está relacionado ao tamanho dos juros”, argumenta o executivo.

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