São Paulo, 30 de junho de 2026

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25/04/2020

Voluntários desenvolvem respirador mecânico em Caxias


(26/04/2020) – Voluntários de Caxias do Sul (RS) se uniram para o desenvolvimento do Frank 5010, um respirador mecânico para uso médico intra e extra-hospitalar sob condições de calamidade pública. A iniciativa – que conta com o apoio de um grupo de engenheiros, técnicos e empresários -, é coordenada pelo TecnoUCS – Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da Universidade de Caxias do Sul (USC) e pelo Hospital Geral do mesmo município.

Hoje, após testes de engenharia junto à equipe do Hospital Geral de Caxias de Sul e ao laboratório da PUCRS (LABELO), já existe um protótipo de produção pronto para testes clínicos. “Gostaria de destacar que o nosso projeto não é um empurrador de ambú (reanimador manual). Ele é um ventilador mecânico para respiração invasiva que trabalha com controle de pressão e tempo”, detalha Hugo Sousa, diretor da Zextec Consultoria e representante dos profissionais e empresas que atuam na iniciativa.

Até a semana passada, o projeto aguardava retorno da Conep – Comissão Nacional de Ética em Pesquisa para o início dos testes clínicos em UTI. Também está esperando o andamento dos trâmites junto a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária para começar a produção de 300 respiradores.

De acordo com o Sousa, a capacidade de montagem será de 150 respiradores por dia. “Estamos preparando uma linha de produção para montar, em tempo recorde, 300 respiradores para a comunidade de Caxias do Sul. Mas, a linha ficará disponível para atender outras demandas”, detalha.

Os ventiladores serão subsidiados integralmente por meio de doações de empresas e entidades. O processo de entrega para os hospitais de campanha da região ainda não está definido. Hugo Sousa conta que a expectativa é de que os respiradores sejam entregues em, no máximo, quatro semanas.

Do Centro Tecnológico da Zextec, localizado em Caxias do Sul (inaugurado em 2019), foram utilizados equipamentos para o desenvolvimento de componentes especiais, como válvula popoff, misturador de oxigênio e ar e bloco manifold para sistema eletropneumático.

Estão envolvidas na iniciativa, desde o início, as empresas Comlink Equipamentos Eletrônicos, Dober Máquinas Especiais, Longhi Engenharia e Automação, Primasserra Automação e Inovação e Bettoni Sistemas para Plásticos. Outras empresas e pessoas físicas também colaboram com acessórios, serviços e suporte técnico. Essas e outras informações estão disponíveis em https://www.frank5010.com.br/.

Processo de desenvolvimento do projeto – Diante a escassez de recursos para o tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus no Brasil e frente ao colapso do sistema de saúde na Europa, a USC resolveu se antecipar. Em 24 de março, reuniu empresários com a proposta de organizar grupos para atender algumas demandas da área de saúde. Foram criados três grupos de trabalho: respiradores, EPI’s e sistemas de derivação para os respiradores existentes.

Segundo Hugo Sousa, as tarefas foram divididas de forma prática e logo na primeira semana de trabalho já haviam bons resultados. “O mais fantástico destes grupos é que imediatamente começaram a trabalhar de forma ordenada. Depois de uma semana já tínhamos desenvolvido os sistemas de derivação para os respiradores existentes e toda a serra gaúcha estava atendida com EPIs. Inclusive, o grupo de equipamentos de proteção individual ajuda hospitais e entidades de outras localidades e estados. Além disso, neste curto período também já tínhamos um protótipo funcional do respirador”, conta o empresário.

Em 9 de abril, o respirador Frank foi apresentado em coletiva de imprensa para a comunidade da Serra Gaúcha. Conforme detalhado por Souza, desde o projeto até a finalização do modelo (Frank 5010), foram somadas 1,5 mil horas de trabalho de engenharia, quantidade que será aumentada quando somados todos os testes e adequações realizados.

“Foi um processo muito rápido, sempre acompanhado por médicos de extrema competência e por uma equipe de engenharia hospitalar. Conseguimos, em 15 dias de trabalho, apresentar um equipamento muito eficaz e de fácil produção. Testamos para além de nossas capacidades técnicas e humanas. Chegamos à conclusão de que se juntarmos esforços podemos enfrentar qualquer situação no Brasil”, conclui Hugo Souza.

EPIs – O grupo de trabalho de equipamentos de proteção individual está trabalhando para produzir EPIs. Protetores faciais do tipo face shield – compostos por uma viseira de PET acoplada a uma tiara de plástico injetado – assumem o papel de escudo e podem evitar a contaminação de profissionais da saúde.

No primeiro mês de trabalho, o grupo doou mais de R$ 4 milhões em EPIs. Estão em produção outras 150 mil unidades que serão doadas para a rede pública de saúde e, também, órgãos de segurança. Até 21 de abril, haviam sido doados 72.063 protetores em todo o território nacional, 54.413 no estado do Rio Grande do Sul e 6.400 no município de Caxias do Sul.

Até o momento fazem parte deste grupo de trabalho as seguintes empresas: Grendene S/A, New Tech Company, Dellaplast, Zextec Consultoria Industrial, UCS – Universidade de Caxias do Sul, Lineform Termoformados, Sulpet Plásticos Ltda, Simplás, Lamina Indústria Plástica, Sulmax Componentes e Ferramentas, Raskalo Produtos de Beleza Ltda, Plásticos Itália, Grupo Bigfer, Multinova, Mullplast Indústria e Comércio de Plásticos, 3D Impressos, Projeto Hígia, Lions Clube, ICF – Instituto Cultural Floresta, Mercur, RMR Plásticos, Donna Faé Imobiliária Premium, Trombini Embalagens, Sorvelândia, Supriserra Suprimentos Ltda, Kodex Express, FedEx, Vitlog Transportes, Fetransul e RodOil.

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