(08/03/2020) – Para a Abimei – Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais, 2020 é um ano promissor, de recuperação do setor. De acordo com o economista e presidente executivo da entidade, Paulo Castelo Branco, o segundo semestre de 2019 apresentou melhorias em termos de investimentos em bens de capital. “Após um período muito ruim, de seguidas quedas nos últimos cinco anos e com a indústria trabalhando com apenas 50% da sua capacidade, a situação vem melhorando gradativamente desde o início do ano passado”, afirma.
Segundo um levantamento da associação divulgado no final de 2019 (os números estão sendo atualizados, conforme informado ao Usinagem-Brasil), a previsão era de que o volume de importações de bens de capital encerrasse o ano com alta de 30%, movimentando US$ 37,4 bilhões. O crescimento também era previsto para as importações de bens intermediários, 22% (US$ 128 bilhões) até o final de dezembro.
Também foi avaliado o desempenho das importações entre janeiro a outubro de 2019, período em que o volume caiu 0,6%, com movimentação de US$ 150,6 bilhões perante os US$ 151,4 bilhões do mesmo período do ano passado. “Ao avaliarmos o número de importações geral, constatamos que houve uma desaceleração no período, que pode ser justificada, entre outras causas, pela alta do dólar nos últimos meses”, comenta Otto Nogami, professor responsável pelo estudo desenvolvido pela Abimei.
Entre os segmentos que apresentaram maior alta no período, de acordo com o estudo, estão Equipamentos de Transporte Industrial (alta de 11,6%, movimentando US$ 3,2 bilhões) e Peças e Acessórios para Bens de Capital (crescimento de 6%, US$ 17,8 bilhões). “Temos um pensamento otimista. Em janeiro e fevereiro tivemos muitas consultas para novos projetos e, também, para projetos que estavam em stand-by. Isso mostra que existe a intenção de investimento”, diz Paulo Castelo Branco. A expectativa é de que em março vários negócios sejam fechados, sobretudo nos segmentos automobilístico, de implementos rodoviários, agro e de linha branca, que apresentam maiores demandas.
O presidente da Abimei afirma que neste início de ano alguns episódios impactaram diretamente no câmbio, como o ataque dos Estados Unidos ao Irã e o Coronavírus. “Isso atrapalha a decisão dos investidores, que ficam mais céticos para fechar negócios”, destaca. Castelo Branco destaca ainda que o Coronavírus está afetando a cadeia de suprimentos global, o que é bastante preocupante: “Não conseguimos dimensionar tudo o que pode acontecer. Tem a questão de subprodutos manufaturados, que são comprados por países como Alemanha, Estados Unidos e Itália e que são utilizados na montagem de máquinas vendidas no Brasil. Esse setor pode ser muito afetado”, alerta.
A cadeia da linha branca também pode ser afetada, já que a China é um grande player do setor. De acordo com Castelo Branco, as empresas contam com grandes estoques, porém com empecilhos para a montagem ou finalização dos produtos, e aumento da demanda, a reposição fica mais lenta em um “momento delicado como o que estamos atravessando”.