(01/03/2020) – Conhecido pela baixa produtividade no trabalho em comparação com outros países, o Brasil pode ter este quadro agravado pela crescente queda na taxa de natalidade, que implicará na entrada de menos pessoas no mercado, diminuindo por tabela a força produtiva.
A advertência é do professor Sérgio Sakurai, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), segundo quem, com a queda na quantidade de trabalhadores economicamente ativos (composta de pessoas da faixa etária entre 15 e 64 anos), o Brasil terá de investir na resolução de um problema estrutural, a baixa qualificação do trabalhador.
De acordo com ele, assim seria possível compensar a diminuição na oferta de trabalhadores, que deve se intensificar nos próximos anos, e ao mesmo tempo aumentar a produtividade e, por consequência, a renda per capita.
“O cenário de baixa produtividade do trabalhador é antigo no Brasil, ela é a mesma faz praticamente 30 anos”, diz Sakurai, que atua no campus de Ribeiro Preto, interior de São Paulo. “Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostra que, de 1981 a 2018, a renda per capita do país cresceu 0,9%, mas a produtividade avançou apenas 0,4%. Com a redução do número de trabalhadores, e sem o aumento da qualificação, a tendência de piora é óbvia”.
O especialista observa que o problema não está somente no trabalhador. Segundo ele, o crescimento econômico se faz pelo acúmulo de produção – basicamente capital e trabalho -, somado ao aumento da produtividade dos mesmos. Assim, para crescer, o Brasil precisaria não só qualificar melhor a força de trabalho, mas também aumentar os investimentos em bens de capital e de produção. “Ou seja, é importante que tanto o trabalho quanto o capital sejam mais produtivos”.
O professor ilustra que a produtividade do trabalhador brasileiro é tão baixa que ele leva 1 hora para fazer o mesmo produto ou serviço que um norte-americano faz em 15 minutos e um alemão ou coreano, em 20 minutos. “Mas as perspectivas de curto prazo na área do trabalho não são das melhores, já que o país teria que realizar uma inclusão da população na educação a uma taxa muito alta”, reconhece Sakurai.