São Paulo, 20 de junho de 2026

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01/11/2019

Zextec cresce no mercado de moldes e matrizes


(03/11/2019) – Em 2012, o grupo português Faria & Peres – que atua com importação, representação e comércio de máquinas, ferramentas e abrasivos e também atua na área de consultoria, com a empresa Zex – foi contratado para automatizar a área de ferramentaria da Grendene, no Rio Grande do Sul. Para dar suporte ao seu cliente, a companhia precisou, além de trazer mão de obra de Portugal, criar uma nova empresa. Assim nasceu a Zextec Consultoria Empresarial.

Hoje, sete anos depois, sediada em Caxias do Sul (RS), um dos polos mais importantes de ferramentaria do País, a empresa oferece consultoria em melhoria de processos, serviços de engenharia em desenvolvimento de projetos especiais, estudo de casos específicos para adequação à indústria 4.0 e formação de mão de obra especializada. Para Hugo Souza, sócio-diretor da Zextec, o potencial do mercado de moldes e matrizes brasileiro é bastante animador: “As ferramentarias brasileiras produzem apenas de 30 a 40% da demanda nacional por moldes. Ou seja, os fabricantes nacionais têm bastante espaço para crescer mesmo focando-se apenas nas vendas internas”.

A Zextec atende clientes de todos os portes. “Todos os clientes, independente do seu tamanho, estão buscando soluções de qualidade, redução de custos e otimização da produção”, diz Souza. Prova disso é o aumento significativo, nos últimos dois anos, da quantidade de ferramentarias e empresas de injeção de plástico que procuram os serviços da Zextec.

Em 2019, com a expansão das atividades para o estado de Santa Catarina, a Zextec deve crescer cerca de 50% em relação ao ano anterior. A estimativa é de que em 2020 a empresa alcance o mesmo crescimento. “Como hoje a nossa atividade comercial se baseia em clientes que indicam clientes, acreditamos que 2020 será um ano próspero”, declara Souza.

Centro Tecnológico – No ano passado, a Zextec deu mais um passo na sua expansão no mercado brasileiro com a inauguração do Centro Tecnológico de Moldes e Matrizes (CT), em Caxias do Sul. O objetivo era o de criar um espaço com equipamentos de ponta para apresentar aos clientes conceitos e soluções da indústria 4.0.

No CT, atualmente são realizadas palestras técnicas, open houses e seminários abordando tecnologias inovadoras para a indústria, além de cursos e treinamentos em engenharia aplicada. “O CT permite que a gente desenvolva cases para os nossos clientes. Esse ano já fizemos alguns estudos com resultados bem interessantes”, informa.

Entre outros estudos, o diretor cita o desenvolvimento do processo de usinagem para aços com alto teor de níquel para um fabricante de aços instalado no Sul do País. O interesse da siderúrgica era demonstrar aos seus clientes as vantagens que podem ser obtidas com esse tipo de aço na fabricação de moldes. “Com o nosso processo e utilizando aço com alto teor de níquel, os usuários podem, por exemplo, reduzir em mais de 30% o tempo de usinagem na manufatura de cavidades”, conta o diretor da Zextec.

Em outro caso, para atender um cliente fabricante de moldes de fundição  pelo processo “Cold Box” e em parceria com uma empresa especialista em resinas, foi desenvolvida uma resina capaz de substituir o alumínio na manufatura deste tipo de molde. Com o novo material, houve redução de mais de 80% no tempo de fabricação e cerca de 75% no custo total do molde. A resina desenvolvida neste trabalho, aliás, em breve será lançada no mercado.

Indústria 4.0 – Para o sócio-diretor da Zextec, o processo de transição para a indústria 4.0 no Brasil tende a ser mais difícil do que na Europa. Entre os fatores apontados estão a ausência de capacitação de mão de obra e de assessorias capazes de conduzir empresas desde o estágio atual até a indústria 4.0.

Souza explica que, mesmo no continente europeu, não há um consenso sobre o tema. De acordo com ele, o denominador comum nessa transição é o investimento em mão de obra mais qualificada e processos mais automatizados: “Só assim será possível transitar de uma empresa com processos ‘artesanais’ para uma indústria 4.0. Por isso é importante entender caso a caso, inclusive o meio produtivo em que as companhias estão inseridas”.

Lacunas do setor – A comparação da realidade do setor de moldes e matrizes nacional com a de outros países mostra algumas lacunas existentes no mercado. Para Hugo Souza, a falta de mão de obra qualificada é um dos maiores problemas da matrizaria no Brasil.

Este é um dos motivos que levaram a Zextec a entrar no segmento de capacitação profissional. Hoje, a empresa já oferece módulos de capacitação profissional apenas para clientes, mas vem trabalhando junto à Universidade de Caxias do Sul para, em 2020, oferecer cursos e treinamentos para o público em geral. A intenção é transformar o CT em um instituto dedicado à capacitação técnica e acadêmica, inclusive com cursos de Engenharia.

Inicialmente, os cursos devem acontecer apenas em Caxias do Sul, mas a Zextec pretende estender as atividades para Joinville (SC) e São Paulo. “Pensando neste novo conceito de indústria, padronizada e automatizada, não existem entidades capazes de formar mão de obra. Isso sempre fica por conta da empresa, que tem de contratar um novo funcionário e treiná-lo. Muitas vezes, essa formação é feita em cima de um processo já ultrapassado”, observa.

Outro ponto mencionado pelo empresário é a ausência de sinergia entre os envolvidos do setor, resultando em poucas discussões técnicas. “Ao nosso ver é muito importante reunir fornecedores de ferramentas e de softwares, associações, empresas de consultoria e fabricantes de moldes para discutir os problemas do segmento de manufatura de moldes e matrizes”, argumenta, frisando que se não acontecerem mudanças tecnológicas, haverá muitas perdas no setor a médio e longo prazos.

A falta de eficiência seria outro aspecto da cadeia de moldes e matrizes nacional. “Hoje, entre os clientes que nos procuram, a eficiência média de uma máquina CNC não passa de 25% das 8760 horas anuais possíveis”, salienta o diretor da Zextec. Em sua opinião, este tipo de ineficiência está diretamente relacionado a fatores como a falta de padronização nos processos produtivos das empresas. “Muitas vezes, com o aumento dos pedidos, outros equipamentos são adquiridos, o que multiplica a ineficiência e incha cada vez mais a estrutura da companhia”, conclui Souza.

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