(27/10/2019) – A CNI – Confederação Nacional da Indústria colheu uma boa notícia na Sondagem Industrial de setembro: para os industriais, a insuficiente demanda interna perdeu importância entre os principais problemas enfrentados no terceiro trimestre de 2019.
De fato, a baixa demanda, embora prossiga como a segunda dificuldade mais assinalada, por 34,6% das empresas, teve a sua importância reduzida em 6,5 pontos percentuais (p.p.) em relação ao último trimestre.
A elevada carga tributária permanece sendo o principal problema dos empresários industriais. Em setembro, a sua assinalação aumentou 2,3% frente ao trimestre anterior, passando para 44,7%.
A produção industrial caiu em setembro na comparação com agosto. Em setembro, o índice de evolução da produção ficou em 48,8 pontos, contra 51,4% em agosto, situando-se abaixo da linha divisória de 50 pontos.
A CNI observa, no entanto, que a queda da produção é comum para o mês, por fatores de sazonalidade. E realmente, mesmo com a queda, o índice de setembro está em seu melhor nível para o mês desde 2014.
Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) se manteve em 69% em setembro, índice igual ao de agosto. É uma melhora de 1% diante de setembro de 2018, mas o índice continua 5% abaixo do patamar médio pré-crise para este mês.
O índice de emprego apresentou aumento de 0,4% no mês, atingindo 49 pontos, mesmo patamar dos últimos dois anos. Diante de setembro de 2018, o índice oscilou 0,2% para baixo, enquanto na comparação com 2017 não houve variação.
Para a CNI, há indícios de que a melhora (ou estabilidade) do mercado de trabalho tem se refletido na demanda interna, com impacto na atividade industrial. No entanto, ainda se observa excesso de estoques – o valor permanece acima dos 50%
As expectativas para os próximos seis meses seguem positivas, com todos os índices acima de 50 pontos. Contudo, a maior parte dos índices de outubro mostra leve recuo em relação a setembro, indicando certo arrefecimento no otimismo.
A intenção de investir, por sua vez, aumentou. Mas a melhora não afasta os receios quanto a uma recuperação lenta, com os indicadores atuais ainda distantes dos observados antes da recessão.