
(28/07/2019) – A John Deere está em fase de planejamento da ampliação das duas fábricas que mantém no Rio Grande do Sul. A de Horizontina, que produz plantadeiras e a de Montenegro, onde são fabricados tratores. A informação foi dada por Paulo Herrmann, presidente da filial brasileira, em evento realizado na Federasul – Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul, na quarta-feira passada.
As ampliações constam do Factory Master Plan da empresa, plano que orienta os novos produtos que a fabricante lançará nos próximos cinco anos. Herrmann não informou o valor dos investimentos, mas a imprensa gaúcha obteve informações de assessores de políticos locais que o montante, em Horizontina, seria de R$ 100 milhões. A ampliação desta unidade – onde hoje são produzidos três modelos de plantadeiras e sete de colheitadeiras – teria como objetivo principal atender o mercado nacional.
A empresa estaria inclusive negociando com o governo do Estado para a construção de um novo acesso à fábrica. “Hoje, são cerca de 200 caminhões carregando matéria-prima e equipamentos que precisam cruzar a cidade para chegar até a fábrica”, disse Herrmann, segundo o “Jornal do Comércio”, acrescentando que a John Deere já teria adquirido terreno no distrito industrial da cidade, para onde pretende transferir as áreas de logística, expedição e recebimento de matérias-primas.
Já no caso da unidade de Montenegro, o projeto de ampliação da unidade de tratores é visto como resposta à ação de seu principal concorrente no mercado de tratores, a AGCO, que deve passar a produzir no Brasil os modelos de alta potência da marca Fendt. “Toda vez que eu vejo um competidor trazendo novas tecnologias ao mercado e apostando nele, é o estímulo que eu preciso para fazer o mesmo”, disse Herrmann.
Os investimentos no mercado brasileiro neste momento se justificam, segundo o executivo, pois o agronegócio brasileiro será beneficiado por um “alinhamento de astros”, que favorecerá a produção de grãos no País. Este “alinhamento” inclui a guerra comercial entre Estados Unidos e China, o avanço da peste suína africana na Ásia (o que deve demandar mais frangos e suínos brasileiros, e, consequentemente, mais grãos para alimentar o plantel) e a quebra da safra norte-americana de grãos.
Quanto ao desempenho do mercado de máquinas e equipamentos agrícolas, Herrmann espera que a John Deere fechará 2019 com crescimento acima do projetado pelo mercado, de 5% a 8%.“Depois de um primeiro semestre de recessão, por conta da escassez de crédito, esperamos um segundo semestre de expansão”, disse o executivo, de acordo com o jornal “Zero Hora”.