
(04/11/2018) – Há alguns meses, o governo federal reduziu para zero a tarifa de importação de robôs. Se a medida influiu pouco no custo do produto – já que a maioria dos robôs tinha alíquota de apenas 2% e em alguns casos, como os de solda, a tarifa já era zero –, contribuiu para reduzir a burocracia dos processos de importação dentro da alfândega.
“A medida agilizou o processo. Tornou mais simples e, agora, na maioria dos casos, é canal verde direto”, informa Edouard Mekhalian, diretor-geral da Kuka Roboter do Brasil.
Em sua avaliação, a medida governamental não chegou a influenciar os negócios e as vendas este ano devem ficar em patamar semelhante ao do ano passado. Porém, Mekhalian se mostra otimista com o futuro com as novas perspectivas da robótica no Brasil. Isto porque, embora em 2018 tenha caído o número de projetos do setor automotivo – um dos principais segmentos consumidores de robôs – o volume deve se manter.
Isto é sinal, de acordo com o executivo, de que a indústria em geral passou a investir mais em automação, em robótica. Mekhalian estima que o consumo de robôs na indústria em geral deve crescer pelo menos 20% em 2018. “O que a gente percebe é que os fabricantes, nos contatos que temos tido, inclusive com a Abimaq, estão mais preocupados com a questão da competitividade, da produtividade e que existe uma consicência maior de que a manufatura brasileira precisa se modernizar”, observa, acrescentando que a indústria brasileira está muito defasada no que se refere à automação em comparação aos seus principais concorrentes internacionais.
Outro fator positivo apontado pelo executivo é o crescimento significativo do número de integradoras no País, empresas especializadas em engenharia, robótica e automação. “Este era um gap do Brasil, pois são essas empresas que desenvolvem as aplicações, os projetos turn-key que as indústrias necessitam e a Abimaq tem ajudado muito nesse sentido”, informa.
Em relação ao mercado, Mekhalian acredita que a Kuka deve fechar 2018 com crescimento em torno de 18%. Para o próximo ano, estima que o faturamento da empresa no mercado brasileiro deve crescer 15%.