
(28/10/2018) – Características como a elevada resistência mecânica e às altas temperaturas, assim como a resistência à corrosão e à oxidação, têm impulsionado cada vez mais a utilização das chamadas superligas, em especial para atender as novas exigências de setores como o aeronáutico e o de óleo e gás.
Porém, o emprego desses materiais implica novas (e em alguns casos enormes) dificuldades para a usinagem, dada a dificil usinabilidade das superligas. Para oferecer a possibilidade de técnicos e especialistas que trabalham com esses materiais aprofundar seus conhecimentos, a Blaser Swisslube promoveu na semana passada, no Centro Tecnológico da Seco Tools, em Sorocaba (SP), uma nova edição do Experts meet Experts (Especialistas encontram Especialistas) para debater o tema.
“A usinagem de superligas é uma área relativamente nova e ainda existe um certo desconhecimento sobre esse tema no Brasil. E essa é justamente a filosofia da Blaser e do Experts meet Experts: trazer à tona esses assuntos e possibilitar a troca de conhecimento entre a academia e os técnicos e disseminar as novas tecnologias de produção e de processo, contribuindo para fazer avançar a manufatura brasileira”, explica Marcelo Kuroda, gerente Técnico da Blaser Swisslube do Brasil.
O evento contou com a curadoria do professor da Unicamp, Anselmo Diniz, que procurou reunir representantes dos principais elementos para a usinagem de superligas: ferramentas, máquinas e materiais. Ele próprio apresentou o primeiro tema do encontro: “Influência das propriedades na usinabilidade de ligas de níquel”.

Em seguida, Fábio Ricardo da Silva, gerente de Treinamento da Seco Tools, apresentou “Os Diagramas Polares de Usinabilidade”, sistema desenvolvido pela Universidade de Lund, da Suécia, com apoio da Seco Tools e de fabricantes de aços. O sistema se baseia em medições quantitativas de cinco propriedades dos materiais: dureza, condutividade térmica, encruamento, abrasividade e alongamento. Com essas propriedades constroem-se diagramas para cada uma das matérias-primas tendo como base o aço 4140. A sobreposição dos diagramas de um e outro material (comparando-se com o aço 4140) facilita a definição dos parâmetros de corte para a usinagem de qualquer material, incluindo as superligas.
As apresentações contaram ainda com as palestras “A importância da seleção de máquinas para o processo de manufatura”, por Fernando Hondei, engenheiro de Aplicação e Processos de Manufatura da Tecno-How Tecnologia, e de “Atualidades no desenvolvimento e aplicações de ligas à base de níquel”, por Alexandre Bellegard Farina, engenheiro pesquisador da Villares Metals, que detalhou as características de várias superligas, além de apresentar novos desenvolvimentos da Villares Metals.
Desafios – Para Márcio Ueda, engenheiro de Desenvolvimento da Globo Usinagem, as superligas são um dos maiores desafios de quem trabalha com usinagem hoje, daí a importância de se abordar esse tema, especialmente num evento reunindo representantes da academia e da indústria, com a oportunidade de interagir. “O saldo final é bom para todos e para o desenvolvimento tecnologico da manufatura brasileira”, afirmou.
Já Ricardo Guimarães Vieira, da área de Engenharia da GM dos Reis, fabricante de implantes ortopédicos de Campinas (SP) e aluno da Unicamp, ressaltou a importância do evento ao proporcionar a aproximação entre universidade e empresas, especialmente ao tratar de tema ainda pouco discutido no País e de crescente demanda. “Vim ao evento em busca de maiores informações, estabelecer contatos e conhecer as novas tendências e as novas ligas que estão sendo desenvolvidas”.
Engenheira de Manufatura da Federal Mogul, Lígia Maria de Freitas destacou a complexidade do tema abordado e a riqueza das informações trazidas. “Além disso, o que é de grande valor, o evento nos colocou em contato com fornecedores de máquinas, ferramentas e das ligas, além da universidade – o que nem sempre é possível para quem está na indústria, possibilitando tirar dúvidas e conhecer materiais novos”.