São Paulo, 05 de julho de 2026

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23/06/2018

Abdib: patamar de investimento em infraestrutura é medíocre

(25/06/2018) – Para a Abdib (Associação Nacional da infraestrutura e das Indústrias de Base), 2018 ainda será muito difícil para o setor de infraestrutura. Na avaliação da entidade, os investimentos recuaram nos últimos anos e devem atingir a marca de 1,5% do PIB em 2018 – patamar medíocre diante das carências do país. Com isso, fornecedores de bens e serviços, como equipamentos e construção, estão com elevada capacidade ociosa. O ajuste fiscal drenou o fôlego do poder público investir. Do lado privado, faltam projetos e sobra insegurança, segundo Venilton Tadini, presidente-executivo da Abdib.

Para ele, o resultado fraco de 2018 na ótica dos investimentos em infraestrutura é fruto de um problema mais estrutural: não há uma estratégia de desenvolvimento definida com programas de investimentos públicos e privados articulados para aumentar a eficiência da economia.

Tadini lembra ainda que no setor de infraestrutura como um todo, considerando áreas como energia elétrica, transportes, saneamento básico e telecomunicações e desconsiderando petróleo e gás natural, houve queda dos investimentos. A infraestrutura recebeu R$ 127,7 bilhões em investimentos em 2015, R$ 109,9 bilhões em 2016 e R$ 106,4 bilhões em 2017 – somando recursos públicos e privados somados.

Em relação ao PIB, segundo dados da Abdib, a redução foi de 2,4% do PIB em 2014 para 1,6% do PIB em 2017. “Para 2018, estimamos investimentos da ordem de R$ 105 bilhões, o que representaria aproximadamente 1,5% do PIB. É um resultado insatisfatório, medíocre, diante das nossas carências”, avalia o presidente-executivo da Abdib.

Como consequência do desempenho dos investimentos na infraestrutura, fornecedores de bens e serviços para o setor, como construtores e fabricantes de equipamentos, trabalham com elevada capacidade ociosa. “A ociosidade é grande, pois o nível de investimento na infraestrutura caiu muito nos últimos anos”, disse.

Setor privado – No lado privado, há também dificuldades. Faltam projetos bem estruturados e a insegurança jurídica ainda é elevada. Tadini elogia iniciativas como o PPI (programa Prioritário de Investimentos, criado no âmbito federal), mas alerta que ainda há poucos bons projetos à disposição do investidor privado. “Talvez (o PPI) tenha sido a principal iniciativa do Estado brasileiro em prol do investimento privado nos últimos anos, pois os projetos têm sido apresentados com boa qualidade e a articulação entre governo e investidores melhorou muito”, analisa. “Mas, no setor, como um todo, ainda faltam projetos e sobra insegurança jurídica”, diz.

Ainda de acordo com o executivo, o cenário delicado da economia – as dificuldades para conduzir as reformas estruturais e a instabilidade inerente do processo eleitoral – reduz o apetite dos investidores. “Os agentes tendem a ficar em posição mais analítica”, diz. Entre os setores da infraestrutura, o de transmissão de energia tem se destacado. Em 2019, tende a haver aportes importantes em aeroportos. Mas, dada a carência de infraestrutura, há oportunidades em todos os setores. “Basta estruturar bons projetos”, diz Tadini.

Depreciação – O ritmo insuficiente de investimentos na infraestrutura afeta principalmente a competitividade e a produtividade da economia. “Não cobrimos sequer a depreciação de nossos ativos e ficamos atrás dos nossos principais concorrentes em nível de exportações”, afirma, complementando que é praticamente impossível ser competitivo com a qualidade da infraestrutura brasileira atual. “E a redução dos investimentos públicos prejudicará ainda mais a oferta de serviços de infraestrutura, como transportes e saneamento básico, dado que a participação estatal ainda é relevante nessas áreas”, alerta.

Tadini explica que a redução da taxa básica de juros propiciou maior participação do mercado de capitais no financiamento dos investimentos na infraestrutura. “O mercado de capitais tende a ser a principal fonte de financiamento do setor em 2018 via debêntures de infraestrutura”, diz. Ele considera que esse mecanismo ganha ainda mais relevância com o apoio anunciado pelo BNDES, que vai adquirir parte das emissões das empresas e já começou a aportar recursos em fundos de private equity.

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