
(19/11/2017) – O mercado de máquinas-ferramenta no Brasil lentamente vai melhorando. As consultas e o interesse por modelos de maior agregado tecnológico também cresce. A indústria como um todo começa a dar sinais de retomada, em especial o setor automotivo – o maior consumidor de máquinas no País. Porém, pelo menos um fator negativo vem impedindo um avanço maior nos investimentos em bens de capital. Com a diminuição das incertezas econômicas, o fator que agora passa a travar os negócios são as incertezas políticas.
Esta é a avaliação de Carlos Eduardo Ibrahim, diretor-geral da Makino do Brasil, que lembra ainda outros fatores, como as dificuldades para obtenção de financiamento e o alto nível de ociosidade em muitos setores. No entanto, a questão que cada vez mais parece afetar os negócios é quem será o próximo presidente. Os fatos revelados pela Lava-Jato, as denúncias de corrupção, prisões, afetaram negativamente grande parte daqueles que se supunha seriam os principais candidatos para a eleição presidencial de 2018, embolando a corrida eleitoral. “Enquanto não houver uma definição clara do cenário político, o mercado continuará andando de lado”, diz Ibrahim.
Para sustentar suas afirmações, ele lembra que o mercado melhorou, mas não dá mostras de ser sustentável. “Os negócios estão surgindo, mas em sua maioria não são planejados. São mais fruto de necessidades momentâneas”, diz. E cita um exemplo: no dia anterior, a Makino havia fechado a venda de uma máquina de 5 eixos para um cliente do Interior de São Paulo. Embora já estivesse em contato com essa empresa há algum tempo, o negócio só saiu porque este cliente recebeu um ultimato de seu cliente final: ou comprava uma nova máquina daquele tipo ou perderia um negócio.
“Alguns clientes postergaram tanto os investimentos que acabam sendo pressionados a comprar uma máquina a pronta entrega, que normalmente acaba saindo a um custo maior do que se ele importasse diretamente, mas que demandaria alguns meses para ser entregue”, explica.
Se nesse caso a Makino levou vantagem, em outro acabou sendo prejudicada. Ibrahim conta que há alguns meses vinha realizando estudos para um cliente, fornecedor do setor automotivo. “Cumprimos todas as etapas. Fizemos os estudos, desenvolvemos o processo, os testes, mas, na hora de bater o martelo, o cliente resolveu esperar e não colocar o pedido. Resultado: quando a montadora confirmou o fornecimento, o cliente não tinha as máquinas e não podia esperar os trâmites de importação. Acabou comprando de um concorrente apenas porque ele tinha pronta entrega de um modelo similar”.
Apesar desses problemas, o executivo se diz otimista e espera que o volume de negócios cresça em 2018 e que, enfim, deslanche em 2019. “2016 foi o fundo do poço e já ficou para trás”, afirma Ibrahim.