
(12/11/2017) – “A automatização está crescendo na contramão da recessão”, afirma Wagner Bello, diretor-geral da Fanuc South America. O executivo explica que as vendas de robôs pela empresa no Brasil estão em forte crescimento, com perspectiva de dobrar o faturamento da Divisão Robotics no País em pouco mais de três anos: após crescer 30% no ano passado, as vendas devem repetir o desempenho este ano e as perspectivas são de incremento de outros 20% em 2018.
De acordo com Bello, muitas empresas iniciaram a preparação para a retomada no ano passado e estão priorizando os investimentos em automação.
E esta é a notícia triste para os trabalhadores que ficaram desempregados ao longo da crise: boa parte dos postos de trabalhos fechados nos últimos anos não serão reabertos, já que as empresas estão optando por automatizar.
Este, porém, não é o caso da Fanuc. A Divisão Robotics ampliou em 10% o número de empregados nos últimos dois anos para atender o aumento da demanda. Bello ressalva, porém, que o mercado brasileiro de robótica não está crescendo no mesmo ritmo da Fanuc, que ampliou bastante seu marketshare no País nos dois últimos anos.
O executivo explica que, nesse período, apenas três contratos com montadoras renderam a venda de 800 robôs. Vale lembrar que o mercado brasileiro consome, em média, 1.500 robôs/ano.
Bello não acredita numa rápida expansão da robótica no Brasil. Até aqui a grande maioria das empresas que compram robôs são grandes empresas, em geral multinacionais. Em sua avaliação, ainda por um período, o mercado deve seguir com crescimento na faixa de 10% ao ano.
“O mercado brasileiro tem grande potencial, mas ainda existem muitos paradigmas a ser quebrados, como o de que robô custa muito caro, que é preciso um técnico altamente especializado para operá-lo, entre outras”, observa. “A cultura de robótica no País ainda é muito incipiente. Estamos hoje no nível que o mercado norte-americano estava 20 anos atrás”.