(02/04/2017) – Entidade representativa de cerca de 500 mil engenheiros, a FNE – Federação Nacional dos Engenheiros manifestou na semana passada, na Câmara dos Deputados, em Brasília, seu posicionamento contrário às alterações promovidas pelo governo federal na política de conteúdo para o setor de petróleo e gás. A entidade defende que o governo reveja as regras a fim de auxiliar a retomada da produção industrial e a geração de empregos.
Se as novas regras não eliminam totalmente o índice de conteúdo local, o reduz a um percentual que pode ser cumprido apenas com serviços.
A resistência da FNE e de vários sindicatos, associações patronais e ligadas aos trabalhadores em relação à nova política de conteúdo nacional foi manifestada durante reunião da comissão geral realizada no plenário da Câmara Federal para debater as novas regras de conteúdo local para petróleo e gás.
A FNE foi representada pelo consultor Artur Araújo que expôs, na tribuna do plenário da Casa, a perda da oportunidade de novo ciclo de desenvolvimento e o risco de demissão maciça de engenheiros e de trabalhadores. "Ou o governo modifica essa política e retoma os percentuais anteriores de conteúdo local ou o País abandonará uma rota de desenvolvimento de valor agregado", afirmou Araújo.
AS NOVAS REGRAS – Em fevereiro, o governo federal definiu uma nova política de conteúdo local reduzindo os percentuais mínimos exigidos. Foi decidido que para a área off-shore (atividade que concentra a exploração e produção de petróleo no Brasil) os percentuais mínimos de conteúdo local serão de 25% para a construção de poços e de 18% na atividade de exploração.
A FNE vem ressaltando que esses percentuais são baixos e que a mudança prejudicará o setor industrial nacional, impedindo os fabricantes brasileiros se tornem fornecedores os segmentos de petróleo e gás e naval – decisão que é vista como retrocesso na área da engenharia, tecnologia e inovação.
A federação destaca que essa definição vai na contramão de um contexto que requer a retomada da atividade industrial e estímulos à geração de vagas de trabalho após dois anos de grave recessão. "A estimativa da FNE é que essa política custará, em nossa categoria, 5 mil empregos. E estamos falando de 5 mil empregos dos mais categorizados, 5 mil fontes de conhecimento", enfatizou.
O alerta sobre o risco de demissão foi feito também por outras entidades representativas da classe trabalhadora a exemplo dos petroleiros e metalúrgicos e trabalhadores da indústria naval.
Representantes do setor produtivo também firmaram posição na reunião da Comissão Geral expondo a contrariedade dos empresários em relação à nova política de conteúdo nacional.
O presidente executivo da Abimaq, José Velloso, disse que a recente medida do governo federal levará à demissão de mais de 1 milhão de trabalhadores. "Iremos demitir em vez de gerar trabalho e poderíamos estar gerando mais de 1,5 milhão de empregos", disse. Ele informou que nos últimos anos o setor industrial fez investimentos de US$ 60 bilhões para se preparar para a ampliação do setor de indústria e gás. “Isso será perdido.”