
(29/11/2015) – “Governo estuda aumento de imposto para proteger aço brasileiro”, informava o site UOL, no dia 18 de novembro. A notícia serviu como um alerta às entidades da indústria de transformação. Rapidamente, associações como Abimaq, Abipeças, Eletros, ABFA, entre outras, se manifestaram através de cartas e telefonemas a ministros e à presidência da República, certas de que na sequência da elevação o do imposto viria um novo aumento do preço do aço no mercado nacional.
As ações das entidades culminaram com uma coletiva de imprensa, realizada na sede da Abimaq na última quarta-feira, com a presença de 11 entidades, incluindo a Abifer, Simefre, Anfir, CBIC, ABCEM, Sicetel e Abinee, além das citadas anteriormente. Segundo os participantes, um novo aumento do preço do aço – um dos principais insumos da indústria de transformação em geral – seria “mais um duro golpe, e talvez fatal, na já combalida competitividade da indústria de transformação brasileira”, conforme carta da Abimaq endereçada a vários ministérios e à presidente Dilma.
De acordo com o publicado pelo UOL, as alíquotas de produtos siderúrgicos, hoje entre 8 e 14% poderiam subir para 15 a 20%. E o governo estaria sendo pressionado pelo fato de o setor siderúrgico ter fechado cerca de 11 mil vagas entre julho e outubro deste ano e, principalmente, a recente demissão de 4 mil funcionários da Usiminas em Cubatão (ex-Cosipa).
Segundo as entidades presentes na coletiva de imprensa, as importações de aço hoje representam apenas 15% do consumo nacional, sendo que 5% são produtos não fabricados no País. Em alguns setores da indústria de transformação, como máquinas e equipamentos, por exemplo, a importação representa mais de 50%.
De acordo com Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, o setor siderúrgico reúne 11 empresas que faturam R$ 30 bilhões e empregam 120 mil trabalhadores diretos. Como comparação, lembrou que apenas as entidades ali reunidas (sem contar várias outras que não estavam presentes em função de agenda) “representavam cerca de 73 mil empresas, com faturamento de R$ 700 bilhões, cinco vezes o faturamento da indústria do aço, e que empregam 4 milhões de empregos diretos. Nesses setores aqui representados não foram cortados apenas 11 mil empregos, mas 800 mil postos de trabalho”, disse.
Paulo Butori, presidente da Abipeças e do Sindipeças, lembrou que apenas no Brasil e em mais nenhum lugar no mundo o imposto de importação da matéria-prima é superior à alíquota de importação do produto acabado. Isto, na opinião dos empresários, é mais um convite para se deixar de produzir no Brasil e importar o produto pronto. “Agora, quando estamos conseguindo melhorar um pouco a nossa competitividade internacional, graças à desvalorização cambial (que não foi pequena, de cerca de 45%), e que também contribuiu para a melhora da competitividade das siderúrgicas, uma ação como essa pode nos retirar parte desta competitividade. No passado, ações protecionistas como esta, não levaram a nada. Nós apenas regredimos”, afirmou.
Christian Arntsen, da ABFA – Associação Brasileira da Indústria de Ferramentas, Abrasivos e Usinagem, destacou que boa parte das empresas representadas naquela mesa têm projetos de longo prazo, envolvendo investimento em novas fábricas ou ampliações. “E o custo da matéria-prima é um fator importante para decisões de investimento. Quando o governo toma medidas imediatistas como essa, de curto prazo, para beneficiar um único setor, cria instabilidade, o que em nada contribui na estratégia de construção de um ambiente de crescimento, de recuperação”, disse.
Os presentes lembraram ainda que, ao invés de conversar e atender um único setor, o governo deveria reunir-se com todos os setores, com toda a cadeia produtiva, que poderiam vir a ser afetados pela medida.
POSIÇÃO DO IABr – O presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, classificou de "histeria programada" a reação de entidades como a Abimaq e Abinee. "O fato de ter aumento do Imposto de Importação não quer dizer que haverá aumento de preço", disse, de acordo com notícia publicada pela Agência Estado.
O executivo afirmou ainda que o IABr trabalhou por oito meses junto com entidades da cadeia metal-mecânica para que apresentassem medidas de defesa conjuntas, mas as conversas acabaram sendo abortadas. "Essas entidades não querem avançar porque têm hoje, em seu segmento, empresas que abriram mão do processo produtivo para optar pela importação. Não consigo entender essa histeria programada", declarou.