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27/09/2015

Da manufatura à cocriação do 1º carro impresso em 3D

(27/09/2015) – Jay Rogers, CEO da Local Motors – empresa que produziu o primeiro carro em código aberto, o Rally Fighter – está saindo de um ano revolucionário. A companhia projetou e construiu o primeiro carro impresso em 3D e, então, mudou de marcha para se unir à GE e trazer seu inovador processo fabril de cocriação e micromanufatura ao setor de eletrodomésticos por meio da FirstBuild.

Ex-fuzileiro naval com MBA pela Harvard, Rogers, não vê o movimento de cocriação parando por aí. “De bens de consumo a aplicações industriais, em setores como medicina, defesa e manufatura, as possibilidades são ilimitadas”, comenta.

Nesta entrevista, publicada pela GE Em entrevista, Rogers discute as perspectivas para a cocriação, a impressão 3D e os rumos da automanufatura em si. Confira!

GE Reports – Você demonstrou que a cocriação não só é um modelo viável de negócio, mas um poderoso sopro de inovação. Quais setores tendem a se beneficiar mais – ou sofrerem maior disrupção – com a cocriação?

Jay Rogers – Há apenas dez anos, a capacidade de engajar uma comunidade global de inovadores na cocriação era quase impossível. As ferramentas de colaboração e design simplesmente não eram acessíveis às pessoas comuns. Essas ferramentas agora estão democratizadas. Redes globais são comuns, e ferramentas profissionais de design estão disponíveis por menos do que se gasta mensalmente com cafezinho.

A Local Motors provou que é possível cocriar complexos dispositivos mecânicos cibernéticos – tanto veículos quanto, mais recentemente, aparelhos domésticos em parceria com a FirstBuild da GE. A justificativa para a cocriação nunca foi tão forte. A Local Motors pode colocar um veículo no mercado dez vezes mais rápido e com cem vezes menos capital do que os fabricantes tradicionais, por envolver mais mentes brilhantes ao logo desse processo.

GE Reports – Você desenvolveu o primeiro carro impresso em 3D totalmente funcional. Como a tecnologia de impressão 3D e a maneira como ela é usada devem evoluir? Estamos chegando mais perto da democratização da manufatura?

Jay Rogers – Na Local Motors, vemos a impressão 3D (manufatura aditiva) como apenas uma das muitas ferramentas disponíveis em um conjunto de ferramentas usadas para fazer coisas. Dependendo da função e do design, ela pode fazer mais sentido para formar, cortar, soldar, fixar ou revestir materiais. É importante notar que a impressão 3D não é uma solução do tipo “uma ferramenta para tudo” – como qualquer outra coisa, há benefícios e inconvenientes inerentes à técnica.

Talvez a maior vantagem da impressão 3D sobre outros métodos de manufatura seja que ela dá ao usuário o controle sobre onde os materiais são colocados. Designers inteligentes são capazes de criar peças complexas otimizadas para força e peso. O resultado final são designs mais leves, que requerem um tempo de montagem imensamente reduzido e que são digitais, o que significa que podem ser modificados com cliques. Imagine cada construção sucessiva de um objeto melhorando a última, com características que são adaptadas exclusivamente aos requisitos do usuário final. A impressão 3D nos permitiu transformar essa visão em realidade.

GE Reports – Quais materiais ou tecnologias emergentes são mais promissoras para a inovação na manufatura?

Jay Rogers – Alterar um produto projetado e manufaturado da maneira tradicional é uma proposta cara e complexa. Como a manufatura tradicional utiliza padrões, usinagens e outros equipamentos caros, promover mudanças é dispendioso. Esses processos simplesmente não são desenhados para mudanças interativas. Por exemplo, se uma grande indústria automobilística decidir produzir um novo veículo, isso exigirá aproximadamente seis anos e US$ 1 bilhão de investimento em planejamento, ferramentaria e equipamentos para reequipar uma fábrica. Ferramentas como as impressoras 3D destravam a criatividade e a inovação dentro do processo de design.

A impressão 3D e a manufatura digital mudam o cenário completamente. Alterar um projeto é tão fácil quanto fazer o upload de novas instruções na impressora 3D; se um designer ou engenheiro acredita que há espaço para melhorias, pode rapidamente aperfeiçoar a nova solução. As melhores soluções podem, então, ser implementadas já no próximo veículo construído. Essa capacidade de melhoria constante irá beneficiar imediatamente a segurança do veículo e a possibilidade de personalização, e acelerará o ritmo da adoção de tecnologia.

Além disso, quando um material termoplástico é usado no processo de impressão, o potencial de reciclagem é tremendo. Imagine poder reciclar seu carro velho e assistir a um novo ser impresso e montado para você enquanto você espera.

GE Reports – Como a indústria norte-americana, incluindo o setor automobilístico, pode manter sua competitividade? O que ela pode aprender com a Local Motors?

Jay Rogers – Uma das principais lições que enfatizo para a equipe da Local Motors é que, em um mundo conectado em rede e digital, a velocidade de comercialização ultrapassa o tradicional modelo de inovação de “patentear e proteger”. Nos Estados Unidos, existe um século de regulamentações arraigadas que serve para manter o status quo – em muitos casos, desfavorecendo aqueles que inovam.

A fim de reduzirmos nosso impacto ambiental e satisfazermos a curta capacidade de atenção dos consumidores digitais, devemos forçar mais a aceleração do ritmo em que aceitamos inovações. Fico tão contente que outros fabricantes de veículos estejam começando a perceber isso. A Tesla Motors juntou-se recentemente à Local Motors em informações de design de código aberto relativas a seus veículos, e a Ford Motor Company está ativamente engajada no rápido desenvolvimento de novos componentes através do uso da impressão 3D.

Fonte: GE Reports

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