
(09/08/2015) – Ainda que praticamente todos os índices de produção e vendas estejam em queda na comparação com os do ano passado, a Anfavea reafirmou a confiança da entidade e das suas associadas no Brasil e no mercado brasileiro. Prova disso, é que as montadoras estão ampliando os investimentos programados no País para o próximo ano.
Luiz Moan Jr., presidente da Anfavea, abriu a coletiva à imprensa para apresentação do balanço do mês de julho destacando o investimento extra de R$ 8,1 bilhões, que deve ser somado aos R$ 77 bilhões já anunciados pelas montadoras até 2018. A GM, que no final do mês passado anunciou novo aporte de R$ 6,5 bilhões no País, dobrando o total planejado até 2018, é a principal responsável pelo aumento. O R$ 1,6 bilhão restante se refere a investimentos divulgados nas últimas semanas por outras associadas da entidade, como Chery, Hyundai e Toyota.
“A média de carros por habitante nos Estados Unidos é de 1,3. Na Europa, 2. O Brasil está com 6. Apesar de São Paulo já alcançar a média europeia, as cidades com mais de 500 mil habitantes no Brasil ainda estão longe dessa proporção”, disse Luiz Moan Júnior. O otimismo de Moan também é baseado no crescimento no mercado de usados no país. O segmento cresceu 3,9% no primeiro semestre deste ano, com a comercialização de 6 milhões de unidades.
A melhora da economia, de acordo com as previsões de entidade, só virá no final do segundo trimestre do próximo ano. “Esperávamos que em junho o ajuste fiscal estivesse totalmente implementado, mas isso não ocorreu. Por isso, a retomada vai demorar um pouco mais”, avaliou Moan.
Para a entidade, o crescimento da produção em julho em relação a junho se deve, de 17,8%, se deve ao retorno dos funcionários de férias coletivas e períodos de lay off. No acumulado do ano, o índice segue em baixa (-18,1%): 1,49 milhão de unidades este ano contra 1,82 milhão nos sete primeiros meses de 2014.
As vendas no mês passado também registraram leve melhora, de 7,1% na comparação com junho. No comparativo contra julho do ano passado, que registrou 294,8 mil veículos, a queda foi de 22,8%. No acumulado do ano as vendas foram de 1,55 milhão de unidades: contração de 21% frente as 1,96 milhão de unidades negociadas até julho de 2014.
MÁQUINAS AGRÍCOLAS – No mercado de Máquinas Agrícolas, a vice-presidente da Anfavea, Ana Helena Andrade, espera melhora nas vendas nesse segundo semestre, com expectativa de fechar o exercício com queda em torno de 20%. A falta de confiança dos agricultores foi apontada como o principal fator de queda das nas vendas. No último trimestre de 2014 o índice estava em 104 pontos, enquanto no segundo trimestre de 2015, caiu para 82 pontos. Como outras entidades dos setores industriais, a Anfavea reforçou que a principal crise no Brasil é a de confiança.
A produção de tratores no ano ficou 27,7% abaixo do mesmo período de 2014 com 35,6 mil unidades este ano contra 49,2 mil no ano passado. As vendas internas no segmento de máquinas autopropulsadas no acumulado foram de 28,7 mil unidades, 27,2% menor do que as 39,4 mil do ano passado.
CAMINHÕES – O setor de caminhões enfrenta o cenário mais difícil. A previsão é que no total a produção de 2015 seja equivalente a apenas sete meses de 2014, o volume mais baixo desde 2003. No ano, a produção acumula queda de 45,4% no ano, foram 48,2 mil veículos produzidos este ano e 88,3 mil em 2014. Já as vendas caíram 43,1% com 43,8 mil este ano e 77 mil no ano passado.
EXPORTAÇÕES – As vendas externas trouxeram resultados positivos para caminhões (12%) e automóveis (10%), apenas máquinas teve queda de 21%. Para estimular as exportações dentro da América do Sul, o ministro da Economia, Armando Monteiro, esteve na Colômbia e Peru recentemente para a negociação de novos acordos que facilitem a entrada de mercadorias nesses países. A viagem de Monteiro foi acelerada pela formação de um grupo interministerial com a participação de entidades industriais para desenvolver estímulos à economia. Segundo a Anfavea, as reuniões tem sido realizadas semanalmente, tendo obtido, entre outros frutos, o recente o PPE (Programa de Proteção ao Emprego).