(31/05/2015) – Estudo realizado pela MA8 Consulting, consultoria especializada no setor automotivo, aponta que a indústria de caminhões no Brasil verá uma redução no número de concorrentes até o final da década, sendo que as seis principais marcas continuarão detendo mais de 80% do mercado. De acordo com a pesquisa, a indústria de caminhões somente recuperará os níveis de produção local de 2011 após o início da próxima década.
“Atualmente o setor conta com 16 marcas de caminhões, embora nem todas apresentem volume de vendas significativo. Algumas marcas dificilmente resistirão até o final da década e entre os principais fatores negativos estão a perda de competitividade, dificuldade em constituir uma rede de concessionárias no país, endividamento e redução dos volumes do mercado, que não sustentam os investimentos necessários para manter as operações”, explica Orlando Merluzzi, presidente da MA8 Consulting.
Os segmentos de caminhões semileves, leves e médios entre 2,8 e 15 toneladas de PBT voltarão a crescer em decorrência das restrições urbanas de circulação, acessibilidade em preço e modal de distribuição. Ainda de acordo com o estudo, as marcas tradicionais de caminhões presentes no Brasil deverão intensificar a concorrência no segmento de entrada semileve, principalmente devido à necessidade das redes de concessionárias por produtos de alto giro. A tendência de crescimento médio anual dessazonalizado está mantida como divulgada anteriormente pela consultoria, abaixo de 4% ao ano até 2022. Já o segmento de pesados deverá recuar em participação na indústria, abaixo dos níveis que possuía no início desta década.
Segundo a consultoria, o setor de caminhões deve encerrar a década com um volume anual 18% menor do que no início do decênio. “Somente um plano nacional consistente de renovação da frota, que ofereça crédito ao autônomo e ao comprador dos caminhões usados, poderá reverter esse quadro. Não adianta os governos estaduais ofertarem planos isolados e sem coordenação, pois a demanda existe, mas precisa de crédito e de quem esteja disposto a assumir o risco. O BNDES e os bancos privados são naturalmente avessos a esse risco. Se houver disponibilidade de crédito o setor retomará rapidamente e poderá recuperar os volumes do início da década”, finaliza Merluzzi.