
(29/03/2015) – Mensalmente, a Abimaq apresenta à imprensa o balanço com os números do setor de máquinas e equipamentos. Nos últimos meses, uma das perguntas mais comuns era relativa à variação cambial e os possíveis reflexos no setor, que há alguns anos enfrenta déficit crescente em sua balança comercial. Os jornalistas queriam saber por que, apesar da escalada do dólar iniciada no segundo semestre de 2014, saltando de R$ 2,10 para R$ 3,20, ou seja, uma variação de quase 50%, a indústria brasileira “ainda não estava competitiva”.
Para tornar mais claro seus argumentos, o Departamento de Competitividade da Abimaq realizou um levantamento, que está representado no gráfico no alto desta página. Mário Bernardini, diretor do Departamento de Competitividade, afirma que “na realidade, ao contrário do senso comum, o real se apreciou durante a maior parte do ano passado até outubro em relação ao dólar e principalmente em relação às moedas dos países com os quais mantém relacionamento comercial e, em particular, em relação ao euro”.
Bernardini indica no gráfico as curvas das desvalorizações do real (em azul), do euro (em vermelho) e, em verde, de uma cesta de moedas (Zona do Euro, China, Argentina, Japão, Chile, Índia, entre outros, excluindo os EUA). Tendo como referência a linha cinza, que representa o dólar, todas as moedas se desvalorizaram. Assim, embora tenha iniciado a desvalorização em relação ao dólar em setembro, apenas em janeiro o real se desvalorizou em relação à cesta de moedas e somente em fevereiro em relação ao euro.
O gráfico mostra, segundo Bernardini, que o real (e, portanto, a indústria brasileira) só ganhou competitividade em relação ao dólar e, ainda assim, quando o concorrente é norte-americano. Para exemplificar, ele diz: “Se uma indústria brasileira vai realizar uma venda na Itália e o seu concorrente é alemão, ela não ganhou competitividade (até fevereiro), porque o euro também se depreciou em relação ao dólar”. E acrescenta: “Se estou vendendo na Colômbia e meu concorrente é norte-americano ganhei competitividade, mas se for europeu ou asiático ainda não ganhei nada…”
Para o diretor, portanto, é preciso que o real se desvalorize pelo menos mais 10% em relação à cesta de moedas e ao euro. “Portanto, não está nada resolvido. Só deixou de piorar”, afirma. “Em minha avaliação só ganharemos competitividade com o dólar a R$ 3,50 – desde que as demais moedas também não se desvalorizem”, enfatiza. Para o diretor, a tendência é que o dólar continue se valorizando (nos últimos meses a moeda norte-americana se valorizou 22% em relação às moedas de seus parceiros comerciais).
Bernardini considera que se o dólar chegar a R$ 3,50 é possível que ganhe corpo as até aqui tímidas ações de substituição de importações. “Para tanto, porém, a moeda precisa se estabilizar num patamar competitivo. Se num estiver a R$ 3,50 e no outro a R$ 3,10 as empresas não terão segurança para passar a produzir localmente algumas peças e produtos que nos últimos anos passaram a produzir fora do País”.