(25/01/2015) – O crescimento da produtividade continua a ter um papel crítico para a competitividade. Enquanto os ganhos de produção do Século 20 foram essencialmente decorrentes de avanços nas capacidades de máquinas, como turbinas e motores industriais, os ganhos de produção do Século 21 serão alcançados pela combinação de integração digital, análise e robótica avançada e tecnologias como impressão 3D.
Essa é a avaliação da General Electric, em texto publicado no GE Reports Brasil/GE LookAhead. Segundo a reportagem, empresas como GE, Cisco e Intel preveem o surgimento de fábricas “inteligentes”, em que a linha que separa a fábrica física da digital não será muito nítida. Essas fábricas irão conectar todo o processo de produção de maneira digital e também aplicar analítica detalhada para os vários conjuntos de informação que passam entre máquinas e produtos, possibilitando a análise de todo o sistema em tempo real.
O nível de sofisticação dessa parceria entre software e hardware irá conduzir a novos métodos de produção, sendo o terminal multimodal talvez o mais inovador. Um desses terminais está prestes a entrar em funcionamento perto de Pune, na Índia, depois de um investimento de US$ 200 milhões feito pela GE, em 2012.
De acordo com a empresa, a vantagem principal do terminal multimodal é a sua capacidade de produzir diferentes linhas de produtos dentro da mesma fábrica, mantendo economia de escala apesar das flutuações de demanda de cada produto individual. Por exemplo, enquanto o principal foco da fábrica da GE será produzir turbinas eólicas adaptadas para o mercando indiano, impressoras 3D no terminal também permitirão que ela produza equipamentos para produção de energia à base de gás e petróleo. Se eles tivessem sido produzidos em fábricas diferentes, poderiam não ter gerado economia de escala. De acordo com Jeffrey W. Connelly, vice-presidente de cadeias de suprimento global da GE, espera-se que o terminal produza mais de US$ 500 milhões em equipamentos até o fim de 2015.
As fábricas inteligentes também irão mudar o processo de inovação. Laboratórios de teste de realidade virtual, por exemplo, irão permitir que designers se conectem remotamente com engenheiros, fornecedores e técnicos. Dessa forma poderão criar, testar e buscar soluções para os seus protótipos de maneira colaborativa. Os processos de crowdsourcing também permitirão que os fabricantes utilizem uma mão de obra mais ampla, normalmente por meio de intermediários como o Kaggle, uma plataforma que permite que as empresas busquem soluções para seus problemas, publicando-os em uma rede global de cientistas de dados.
O impacto coletivo da produção avançada, da robótica, da automação do trabalho do conhecimento e novos materiais tem o potencial de gerar valor de US$ 12,3 trilhões por ano para a economia global até 2020, segundo a McKinsey.
A adoção de técnicas inovadoras de produção e o seu impacto não será o mesmo em todos os setores. As indústrias na área de Pesquisa e Desenvolvimento podem se beneficiar mais da inovação com o crowdsourcing, reduzindo os custos em P&D através da contribuição de conhecimento especializado de pessoas fora da empresa. Como resultado, os setores de transporte e geração de energia se beneficiarão com ganhos na produção e na inovação, enquanto setores com pouco uso de P&D ou com ênfase na mão de obra, como o setor têxtil, se beneficiarão mais de ganhos no processo.
Entre os que priorizam a produção avançada e fábricas inovadoras está a União Europeia, que investiu € 1,2 bilhão em parcerias público-privadas (PPPs) entre a indústria e as universidades com o objetivo de lançar 150 projetos em áreas como produção avançada, robótica e design de fábricas inteligentes. O governo dos EUA também anunciou planos para investir US$ 1 bilhão nos próximos 10 anos com a abertura de 45 Institutos para a Inovação na Produção. O Next Generation Power Electronics National Manufacturing Innovation Institute, voltado para a geração de energia e um dos quatro institutos inaugurados pelo governo do presidente Obama em 2014, irá receber US$ 140 milhões para desenvolver métodos de produção em larga escala e com custos eficientes de semicondutores de banda larga. Esses semicondutores, muito menores e mais eficientes que os de silicone, são projetados para reduzir perdas de eletricidade em até 50% na conversão de energia e em até 60% no carregamento de baterias. As aplicações possíveis incluem utilitários em geral, motores industriais e veículos elétricos.
chr38Agrave; medida que as fábricas e os processos de produção evoluem, o mesmo ocorre com as exigências em relação à força de trabalho. Essas mudanças irão exigir desenvolvimento de habilidades em técnicas de produção avançada (por exemplo, impressão baseada em polímeros ou metais) e em técnicas de design de engenharia e economia associada a esses novos métodos de produção. Atualmente, universidades como a Manchester Community College oferecem cursos e certificações em impressão 3D. Com as fábricas inteligentes a todo vapor e a demanda crescente de conhecimento associado aos novos métodos de produção, programas desse tipo irão se multiplicar, criando um novo tipo de força de trabalho para uma nova era da produção industrial.
Fonte: GE Reports/GE LookAhead