São Paulo, 05 de julho de 2026

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13/12/2014

BNDES prevê investimentos de R$ 4,1 trilhões até 2018

(14/12/2014) – O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social prevê R$ 4,1 trilhões em investimentos para o período 2015-2018 entre 20 setores analisados. Os números estimados na 9ª edição do estudo “Perspectivas do investimento e panoramas setoriais”, que acaba de ser lançada, representam crescimento de 17,1% frente ao efetivamente realizado no quadriênio 2010-2013.

O maior crescimento previsto é no setor de agricultura e serviços, com investimentos previstos de R$ 1,6 trilhão, seguido pela indústria, com previsão de investimento de R$ 909 milhões, uma alta de 18,5% em comparação ao quadriênio anterior.

Dentro da indústria, o segmento de óleo e gás será responsável por movimentar mais da metade do montante: R$ 509 milhões. Já o setor automotivo deve ficar estável com investimentos previstos de R$ 59 bilhões, que se concentrarão na ampliação da capacidade produtiva. O segmento aeroespacial também está em destaque por seu crescimento: enquanto na projeção anterior os investimentos eram de R$ 4 bilhões, nesta saltaram para R$ 12 bilhões, motivados por compras públicas para a área de defesa.

A divisão da indústria não contabiliza investimentos em mobilidade urbana, incluídos no item infraestrutura social e pelos cálculos do BNDES deve receber R$ 50 bilhões no período. Esses investimentos se distribuem da seguinte maneira: 64% para metrô, 15% para monotrilho, 9% para Bus Rapid Transit (BRT), 6% para trem e 6% para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Na apresentação do livro, os economistas do BNDES alertam que o destaque do levantamento não está no aumento de investimentos. “Apesar de ainda ser robusto, o aumento é inferior ao projetado em edições anteriores desta publicação. A mudança está na qualidade dos investimentos, que é percebida quando olhamos para os projetos de cada setor. São mais intensivos em tecnologia e, em geral, menos intensivos em capital”.

Desafios – O documento cita também fraquezas de cada setor indicado. No setor aeroespacial, a dependência da cadeia produtiva em relação a Embraer é mencionada. “Por isso, a cadeia produtiva ainda é frágil, implicando empresas essencialmente de pequeno porte. Ademais, o sistema tributário não as desonera integralmente nas etapas subsequentes de peças e componentes que serão exportados quando integrados a aeronaves ou outros produtos (resultando em concorrência desigual com fornecedores do exterior)”. Outro obstáculo lembrado é a dificuldade brasileira para atração de investimentos de risco para prazos de retorno superiores a uma década.

A necessidade de avanço tecnológico no setor de bens de capital também é destacada no estudo. “Os fornecedores de bens de capital para o setor estão localizados, em sua maioria, no exterior. Isso porque os grandes itens estruturais das aeronaves que são fabricadas no país requerem máquinas e equipamentos extremamente sofisticados. Usinagem em seis eixos para componentes em liga leve de alumínio, autoclaves de dimensões consideráveis, equipamentos com CNC de última geração, além de, cada vez mais, unidades robóticas, são alguns dos requisitos da moderna indústria aeronáutica a que o parque nacional de máquinas e equipamentos ainda não consegue atender”.

Para solucionar os problemas, os autores sugerem que “o adensamento da cadeia produtiva ainda carece, em larga medida, de políticas públicas setoriais e dedicadas, a exemplo do que foi implementado, com bastante sucesso, no México (que não produz aeronaves, mas fabrica e exporta peças e componentes para fabricantes localizados nos países centrais) e no Canadá, apenas para citar dois casos mais recentes”.

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