(16/11/2014) – O IPT e a CBMM – Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração assinaram na terça-feira, 11 de novembro, convênio de dois anos para desenvolvimento de tecnologia de obtenção de neodímio metálico, matéria-prima para a produção de superímãs empregados na indústria de alta tecnologia, como motores elétricos e turbinas eólicas. O acordo, no valor de R$ 9,5 milhões, foi feito em conjunto com a Embrapii – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial.
O Brasil é tido como detentor da segunda maior reserva de terras-raras – conjunto de 17 elementos químicos, que inclui o lantânio, neodímio, samário, érbio, lutécio, entre outros – do mundo, com estimados 16% de participação mundial, de acordo com o DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral. Não há, entretanto, produção em escala comercial dos elementos de terras-raras no país.
“Os superímãs de terras-raras são estudados há 30 anos no Brasil. Na década de 1990, todas as expectativas da comunidade acadêmica foram frustradas com o domínio total da China sobre o mercado”, lembrou Fernando Landgraf, diretor-presidente do IPT, durante a cerimônia de assinatura do contrato. “Nos últimos anos, venho insistindo que o avanço da cadeia produtiva nacional só iria ocorrer quando uma das empresas detentoras de reservas de terras-raras investisse na transformação do minério em material comercialmente atrativo. E o fato de a CBMM hoje assumir esse risco é realmente um marco”.
A CBMM dispõe de planta-piloto para concentração de terras-raras a partir de reservas na cidade de Araxá (MG), onde mantém suas operações de produção de nióbio. A companhia também já domina o processo de separação de óxidos de terras-raras. Equipes do Centro de Tecnologia em Metalurgia e Materiais do IPT e da companhia trabalharão em conjunto na terceira etapa da cadeia, a da redução do óxido de neodímio em metal. Segundo Landgraf, essa é a único elo da cadeia produtiva dos superímãs de terras-raras ainda não trabalhada no Brasil.
O presidente da CBMM, Tadeu Carneiro, comparou os desafios da companhia neste projeto com o do desenvolvimento do mercado do nióbio, há 60 anos. Naquele momento, disse o executivo, não havia nem aplicações, nem mercado para o nióbio, que foi praticamente criado pela empresa, hoje a maior fabricante mundial do metal. “No caso das terras-raras, esses fatores não são problema. Mas temos outro desafio que é o de desenvolver tecnologia. É tão importante por isso o esforço que esse convênio irá produzir”, destacou.