(18/07/2010) – Novo CEO da Walter AG (assumiu em 1º e abril de 2010), Andreas Evertz concedeu entrevista à revista Aerotec, especializada no setor aeroespacial. Nesta entrevista, Evertz aborda as demandas desse setor em relação às ferramentas de corte e a cooperação com fabricantes de máquinas e softwares.
Segundo Evertz, a estratégia da empresa tem sido a de focar-se em soluções específicas para os mais variados setores industriais. “Não somos apenas fabricante de ferramentas, mas um parceiro para consultoria com extenso conhecimento em usinagem, atendendo os requisitos específicos dos segmentos industriais, incluindo-se aí o aeroespacial”.
Para Evertz, o sucesso no desenvolvimento de novas tecnologias só pode ser alcançado com a cooperação de todas as partes envolvidas, daí a formação da Rede para Tecnologias Inovadoras de Usinagem, na Alemanha, da qual a Walter é uma das fundadoras. “A Rede nos permite sentar com clientes e fabricantes de máquinas e softwares”, justifica. “Esta cooperação é um pré-requisito para soluções eficientes e inovadoras. Se o cliente nos entrega uma peça a ser usinada, ele não apenas receberá uma máquina ou pacote de ferramentas, mas um processo completo e otimizado com o que há de melhor em termos de soluções”.
Há alguns anos, conforme o CEO, as taxas de remoção de material no setor aeroespacial não representavam o papel crucial que desempenham hoje. Em sua opinião, as demandas de produtividade hoje são muito similares às encontradas no setor automotivo.
MATERIAIS – “Cada material tem suas características e problemas, e requer ferramentas específicas. Há muitas questões tecnológicas envolvendo materiais compostos, por exemplo, pois falta experiência no mercado mundial com este grupo relativamente novo de materiais”, comenta, referindo-se às soluções desenvolvidas para os materiais empregados no setor aeroespacial. “Nós expandimos nossa linha de produtos para furação e mandrilamento para produzir furos para rebites em materiais compostos, já que os componentes para cabines requerem muitos furos como estes. Os compostos têm exigências muito específicas, pois as ferramentas devem cortar as fibras com perfeição. Estas fibras não devem ser desfeitas, pois isso aumenta muito o risco de quebra devido à delaminação”.
Titânio, aços de alta resistência térmica e ligas à base de níquel também impõem demandas altas em termos de segurança de processo e qualidade de usinagem. “Os componentes feitos destes materiais são muito caros e uma quebra pode matar a peça, tornando-a inútil. E este é um risco que os clientes não querem e nem podem correr. Por esta razão, introduzimos novos insertos intercambiáveis para titânio com coberturas e geometrias otimizadas, bem como fresas de metal duro com refrigeração interna fabricadas com substrato desenvolvido recentemente”.
Perguntado sobre o alumínio, material que vem perdendo espaço na indústria aeroespacial, Evertz lembra que o papel do alumínio no futuro não deve ser subestimado. “Sua proporção deve ser reduzida, mas ele ainda permanecerá como material importante para o setor. Desta forma, nós lançamos novas fresas da linha Sky.tec, especialmente desenvolvidas para a usinagem de alumínio”.
No que se refere à produção de motores, lembra que a Walter desenvolve ferramentas para aços termorresistentes e ligas à base de níquel, como o Inconel 718, bastante exigentes quanto à qualidade e segurança de processo e, ao mesmo tempo, requer os mais difíceis procedimentos de usinagem. “Chegar à metade de um processo de usinagem e então parar a máquina para trocar uma ferramenta é praticamente impossível. As quantidades necessárias devem sempre ser calculadas considerando o processo completo”.
Para Evertz, o grande potencial para ganhos de produtividade está no conjunto e não em pontos específicos do processo. “É preciso pegar o processo como um todo. Se olharmos apenas o lado das ferramentas, ou da máquina ou do software, não iremos satisfazer as exigências de eficiência do processo. Todos os fatores devem estar em harmonia e interligarem-se como uma verdadeira engrenagem”.
“Se a produtividade deve ser aumentada a uma escala maior, temos que considerar a cadeia inteira do processo. Uma ferramenta de alto desempenho com características modernas e inovadoras apenas compensa sua utilização se o fuso da máquina permitir as velocidades necessárias para sua aplicação, se o nível de estabilidade é projetado para altas taxas de avanço, se possui refrigeração etc. Ferramentas de alto desempenho só fazem sentido se usadas com máquinas com características compatíveis e vice-versa”, conclui.