
(18/05/2014) – O novo acelerador de partículas, o Sirius, do LNLS – Laboratório Nacional de Luz Síncroton tem previsão para iniciar as operações em 2017 e até lá o laboratório pretende aumentar o número de parcerias com empresas fornecedoras. Um edital conjunto entre a Fapesp e Finep será lançado no próximo mês para liberar recursos a fundo perdido para empresas interessadas em desenvolver respostas para 20 desafios do projeto. Para o coordenador do LNLS, Antonio José Roque, a iniciativa é um estímulo para empresas desenvolverem novos produtos e se engajarem no projeto. Atualmente existem cinco empresas parceiras do laboratório e Roque pretende que esse número passe para 20 até o final do ano.
O coordenador cita dois motivos como as principais dificuldades de atrair empresas para realizar parcerias com a universidade. A primeira é que muitas vezes são desenvolvidos produtos específicos para os quais a empresa não enxerga um mercado imediato. Outro ponto é o nível de precisão acima do que a indústria requer no dia a dia. Por outro lado, José Roque lembra que os novos métodos de fabricação podem ser incorporados internamente para desenvolvimento de novos produtos, assim como a empresa pode apostar em outros nichos de mercado.
Ao contrário do acelerador anterior, a maior parte do Sirius será construída fora da estrutura do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). O coordenador do LNLS explica que a demanda de componentes é muito maior neste projeto. “Enquanto o primeiro acelerador continha centenas de imãs, neste serão milhares. O momento econômico do Brasil também contribui para isso, no passado não conseguíamos encontrar fornecedores para os serviços que necessitávamos”.
A nova disposição de imãs de inserção é um dos fatores para que a luz síncrotron deste acelerador seja considerada de terceira geração. Agora, eles estarão espalhados nos trechos retos do anel de 518 metros de circunferência. Tais imãs tem a função de fazer os elétrons se movimentarem em zigue-zague e liberar novas radiações. Com apenas quatro trechos retos no acelerador anterior, a instalação destes imãs foi prejudicada.
A produção está a cargo da Weg, que classifica a produção como um desafio e selo de qualidade da produção. “Nós estamos produzindo algo que nunca foi feito por ninguém e o nosso interesse é conseguir atender os níveis de qualidade e exigência para a ciência. Estamos usando todo nosso poder de fogo em ferramentaria e fabricando nosso ferramental próprio”, comenta o gerente de vendas da WEG Motores, Daniel Eidelwein. Para produzir imãs nos requisitos do LNSL a empresa adquiriu novos equipamentos de medição e criou um setor específico para o projeto, com quem tem parceria prevista até 2015. A WEG não revela o valor investido no projeto.
Outra novidade está nas ligas que serão utilizadas nos tubos do acelerador e que, como no modelo da década de 1980, está a cargo da Termomecânica. A composição anterior, que era de 90% inox e 10% cobre, agora se inverteu, para dar maior condutividade a passagem de luz. De acordo com Paulo César Martins, gerente de marketing da empresa, a criação do novo processo para desenvolvimento da liga irá contribuir em novos projetos, mais especificamente na participação da empresa (ainda em projeto) na construção de um submarino nuclear.
O Sirius está orçado em R$ 650 milhões e tem cinco vezes o tamanho do atual acelerador, o UVX. O equipamento permite olhar dentro da matéria e permite entender o comportamento de nanopartículas, sejam para o desenvolvimento de novos materiais, fármacos ou cosméticos. “A luz síncrotron é a mesma que os nossos olhos podem ver, só que ampliada para regiões do espectro electromagnético que a visão não consegue perceber. O síncrotron pode produzir todas as “luzes” do espectro, aí incluídas a ultravioleta e os raios-X, necessárias para realização de pesquisas materiais”, explica o glossário do LNLS.