
(16/03/2014) – A subsidiária brasileira da Anglo American tem investindo na pesquisa e desenvolvimento de novos processos na produção de ferro-nióbio no País. Dois deles foram divulgados pela companhia nas últimas semanas e envolvem a reciclagem de materiais.
Num deles, os engenheiros da Anglo American do Brasil encontraram uma forma de economizar toneladas de pó de alumínio para a produção da liga de ferro-nióbio, utilizada na produção de aços especiais. “Por ser um dos insumos principais no processo, a companhia pesquisou meios de reduzir o uso de pó de alumínio sem que houvesse alteração da qualidade do produto final”, afirma Paulo Misk, diretor de Operações Nióbio da Anglo American.
Após testes, foi constatada a viabilidade de substituir 20% de todo o pó por latas de alumínio trituradas, que têm a mesma composição química, com diferenças apenas em relação ao tamanho dos grãos. O pó é utilizado no processo de aluminotermia para a purificação de óxidos minerais. O resultado é a economia de 820 toneladas de pó de alumínio e a reciclagem de mais de 55 milhões de latas de alumínio por ano.
A fábrica de Ouvidor (GO) realiza cerca de quatro mil reações aluminotérmicas e cada uma produz, em média, 1,13 toneladas de nióbio. Para cada quilo de nióbio produzido, são usados 910 gramas de pó de alumínio, dos quais, atualmente, 182 gramas são reciclados (latas trituradas).
O desenvolvimento do novo processo permitiu a economia, uma vez que o valor das latas é muito menor do que o do pó de alumínio convencional e maior segurança para os funcionários. O uso de latas recicladas aumentou a estabilidade das reações gerada a partir da inclusão das latas trituradas, que diminuíram a possibilidade do material quente transbordar.
RESchr38Iacute;DUOS SÓLIDOS – Outro projeto, este em parceria com o Sesi/Senai de Niquelândia e do Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro, pesquisou o aproveitamento na construção civil de um resíduo obtido na produção do ferroníquel. Denominado “Estudos para Utilização de Escória de Ferroníquel das Plantas de Barro Alto e Codemin na Construção Civil”, o trabalho foi um dos projetos vencedores da edição de 2011 do Edital Senai Sesi de Inovação.
Ao longo de quase dois anos, foram realizados vários testes físico-químicos nos laboratórios do IME para avaliar o potencial da utilização desse resíduo. Os testes realizados consistiram em utilizar 40% de escória de ferroníquel no revestimento asfáltico e 30% na base de um pavimento asfáltico de uma área de 3 mil m² na Codemin, em Niquelândia, realizado com sucesso. Ficou comprovado que o asfalto elaborado com a escória de ferroníquel é uma alternativa adequada para o uso de misturas asfálticas, como a substituição parcial da brita na pavimentação de estradas e ruas e também da areia na fabricação de blocos de concreto.
A escória é um resíduo que gera custos com transporte, preparação e adequação do local para sua deposição. Com o projeto é possível dar uma aplicação à escória, além de diminuir os impactos ambientais sobre rios e córregos de onde se retiram areia para fabricação dos blocos de concretos na construção civil.
Outros possíveis benefícios são: a redução da área necessária para estocagem de escória nas plantas industriais; redução da movimentação interna de caminhões para o transporte do resíduo; aumento da interação com a comunidade e centros de pesquisa com novas oportunidades; e destinação para projetos de pavimentação.