
(24/11/2013) – Aluno de mestrado da Unicamp, Márcio Alexandre Machado, desenvolveu processo que comprovou a viabilidade da reafiação de bedames. Na dissertação “Reaproveitamento de bedames intercambiáveis”, defendida em outubro, sob orientação de professor Amauri Hassui, Machado afirma que é possível, com os bedames reafiados, se atingir vida útil superior a 100% da ferramenta original.
O autor diz ter se interessado pelo tema quando era gerente de usinagem da BGL Ltda. Componente importante nos custos de produção de buchas em ferro nodular, os bedames após o término da vida útil – diferente do que ocorria com as brocas – eram destinados à sucata.
Machado pesquisou quatro tipos de geometrias de afiação e diversos tipos de revestimentos. Os testes realizados possibilitaram o desenvolvimento de parâmetros para tornar viável a reciclagem da ferramenta. Os resultados mostraram a viabilidade econômica do processo de reafiação dos bedames, que possibilitaram economia de cerca de 20% nos gastos mensais da empresa com ferramentas de corte.
De acordo com Machado, o pulo do gato foi descobrir a adequação da melhor afiação em relação ao material que seria trabalhado, o ferro fundido nodular. “Nós refizemos o ângulo original com um novo projeto para a área de corte e dessa forma conseguimos uma vida útil superior a 100% em relação à ferramenta original na usinagem”, explica o engenheiro, acrescentando que utilizou ferramentas multimateriais em seu projeto. Ele informa que a reafiação foi feita em uma empresa terceirizada e o redesenho proposto para a ferramenta atendeu aos limites de custo.
O melhor resultado foi alcançado com um ângulo de saída positivo de 10º e um reforço na aresta (entre 0,05 mm e 0,08 mm). O revestimento mais eficiente foi o nitreto de alumínio-titânio (AlTiN) seguido pelo carbonitreto de titânio (TiCN). Outro ponto observado foi o impacto do aumento da velocidade no menor desempenho da ferramenta. A concentração do fluido de corte também foi decisiva para o ganho de vida útil da ferramenta. Um aumento de 40% resultou em aumento dessa mesma porcentagem na vida. Na conclusão ele aponta que “a velocidade de corte tem forte influência na vida dos bedames, um aumento de 66% diminuiu a vida em quase 90%”.
Concluído o mestrado, o engenheiro pretende trabalhar em consultoria na área de usinagem e pensa em dar continuidade ao estudo em um doutorado.